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Polícia Federal vai investigar problemas em inscrições do Sisu

Candidatos alegam ter tido escolhas de curso e notas da redação alteradas

O Ministério da Educação divulgou, nesta terça-feira (31) que encaminhará à Polícia Federal (PF) casos de possíveis acessos indevidos a contas de candidatos do Sistema de Seleção Unificado (Sisu). Pelo menos três estudantes reclamaram ao órgão de terem suas escolhas de cursos alteradas e uma candidata alegou ter a nota da redação rebaixada.

O MEC afirmou que, até o momento, não registrou indício de acesso indevido a informaões de estudantes cadastrados. Nos casos que ganharam repercussão na imprensa, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) afirma que já identificou no sistema data, hora, local, operadora e IPs de onde partiram as mudanças de senha. Os dados serão encaminhados à PF.

Uma das jovens, Terezinha Gomes Loureiro Gayoso, é de João Pessoa, na Paraíba, mas o nome no Sisu saiu na lista dos aprovados do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Norte de Minas Gerais (IFNMG), no curso de produção de cachaça. O MEC afirma que, nos registros do sistema, a única opção de escolha feita foi esta.

Outro caso foi o de uma estudante que afirma ter tirado 1000 na redação (a nota máxima) e o sistema apresentava sua pontuação errada. O ministério diz que ela "na verdade obteve pontuação de 460 pontos na redação do Enem 2016".

As equipes do Inep e da Secretaria de Ensino Superior (Sesu) também afirma que trabalham para aperfeiçoar o Enem para a edição 2017, "de forma a garantir segurança e tranquilidade aos inscritos".

Confira a nota do MEC na íntegra:

"Sobre suposto hackeamento dos sistemas do Sisu e Enem o MEC/Inep esclarecem:
1- Os sistemas do MEC e do Inep não registraram, até o momento, indício de acesso indevido a informações de estudantes cadastrados, que configure incidente de segurança.

2- Há relatos na imprensa de casos pontuais de acesso indevido a dados pessoais de candidatos, que teriam possibilitado mudança de senha e de dados de inscrição, como opção de curso. A senha é sigilosa e só pode ser alterada pelo candidato ou por alguém que tenha acesso indevidamente a dados pessoais do candidato.

3- Casos individuais que forem identificados e informados ao MEC como suposta mudança indevida de senha e violação de dados, o MEC vai remetê-los para investigação da Polícia Federal. Nos dois casos citados pela imprensa, o Inep já identificou no sistema data, hora, local, operadora e IPs de onde partiram as mudanças de senha. Os dados serão encaminhados para a Polícia Federal. 

4- Ressaltamos, também, que todas as ações realizadas no sistema são registradas em “log”, de forma a possibilitar uma auditoria completa.

5- A Secretaria de Ensino Superior (Sesu) destaca que a atual gestão assumiu em maio de 2016, com o processo do ENEM 2016 em curso, na última semana de inscrições. Por isso, todo o sistema de operacionalização do ENEM foi definido na gestão anterior e estava em funcionamento, não podendo ser alterado no meio do processo. 

6- Para o ENEM 2017 as equipes do INEP/SESU estão trabalhando para aperfeiçoar o Exame, de forma a garantir segurança e tranquilidade aos inscritos.

CASOS

Gabriela de Souza Ribeiro 

A candidata que alega ter tirado nota 1000 na redação, na verdade obteve pontuação de 460 pontos na redação do Enem 2016.

Consta nos registros do Sisu acessos nos dias 24 e 29 de janeiro, respectivamente, às 11h30 e 12h33, com os dados da candidata e em nenhum deles foi realizada inscrição em qualquer curso. 

Terezinha Gomes Loureiro Gayoso

Consta nos registros do Sisu acessos nos dias 24 e 29 de janeiro, respectivamente, às 12h15 e 22h12. O sistema também apresenta três tentativas de acessos sem sucesso (nos dias 24 de janeiro, sendo dois deles às 20h06 e o último às 20h07). A única opção de escolha de curso que consta é a de Produção de Cachaça, no Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Norte de Minas Gerais – Campus Salinas, realizada no dia 29 de janeiro às 22h14, conforme consta no último acesso registrado no Sisu. A candidata concorreu à vaga na modalidade: Candidatos com renda familiar bruta per capita igual ou inferior a 1,5 salário mínimo que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas (Lei nº 12.711/2012).

É válido ressaltar que, em 2011, a referida candidata ficou na lista de espera do Sisu pelo curso de Medicina."

Fonte: Folha PE

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