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Medo de falar em público? Fobia social é um dos transtornos psiquiátricos mais comuns

O medo de ser ridicularizado, censurado ou rejeitado faz com que muitas pessoas recuem diante de diversos contextos sociais. Esse receio, inclusive, é uma das principais características dos tímidos. Mas e quando a vergonha de determinadas situações extrapola o limite do normal? Na semana em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) traz a depressão como tema principal do Dia Mundial da Saúde, o Casa Saudável trata de diversos distúrbios psiquiátricos que podem estar associados a um quadro depressivo. O transtorno de ansiedade social, mais conhecido como fobia social, é um deles.

“A fobia social é um dos transtornos psiquiátricos mais comuns que existem na medicina. Em algumas populações inclusive chega a ser o mais comum. É caracterizado, principalmente, pelo medo desproporcional de ser rejeitado ou censurado diante de situações que envolvam algum tipo de contato pessoal. É importante ressaltar que a fobia social é muito maior que a timidez. Pessoas tímidas, no geral, não têm um grande prejuízo social, acadêmico ou profissional. Na fobia social, há um prejuízo significativo nesses cenários”, pontua o psiquiatra Amaury Cantilino, especialista em neuropsiquiatria e ciências do comportamento.

Segundo o especialista, diversas circunstâncias podem afetar o paciente que convive com o transtorno. No Brasil, a situação mais frequente é o medo de falar em público. “Todos nós apresentamos uma certa ansiedade quando vamos falar para uma grande quantidade de pessoas. O cenário funciona da seguinte forma: a ansiedade cresce assim que a pessoa começa a discursar, principalmente nos três primeiros minutos. Depois de 15 a 20 minutos, a ansiedade tende a desaparecer. Em pessoas com fobia social, a ansiedade vai aumentando e não diminui com o tempo, fazendo com que o indivíduo tenha uma performance ruim. Ele pode, por exemplo, começar a gaguejar, ter tremores e sentir o coração acelerado. Algumas pessoas chegam a ter crises de pânico, inviabilizando a presença dela naquela determinada situação”, explica.

O transtorno pode se apresentar de duas formas: a fobia social generalizada (medo exacerbado em diversas situações) ou a fobia circunscrita (o pavor de situações específicas, como o próprio medo de falar em público). “Reconhecer qual das duas fobias o paciente apresenta é essencial no tratamento. Enquanto na circunscrita, a intervenção tende a ser bastante eficaz apenas com a psicoterapia, na fobia generalizada, a psicoterapia aliada com medicamentos apresenta melhor resultado”, pontua Cantilino.

Assim como outros transtornos mentais, as causas da fobia social podem combinar diversos motivos. Hereditariedade e fatores externos (como o bullying) são alguns dos principais. Os sintomas, em mais da metade dos casos, tendem a aparecer até o início da adolescência. Por isso, os pais devem ficar atentos a características incomuns. “Na grande maioria dos casos, o paciente já tem sintomas bastante significativos antes mesmo de chegar na fase adulta, por volta dos 20 anos. A tendência é que a fobia vá se agravando com o tempo, já que a pessoa não consegue adquirir as habilidades que só a interação social pode trazer ao longo dos anos”, ressalta o psiquiatra.

Outro ponto importante é que, apesar de ser mais frequente em mulheres, são os homens que mais procuram os especialistas para tratar a fobia social. “Este é, provavelmente, o único transtorno psiquiátrico no qual os homens procuram mais o tratamento do que as mulheres, embora, em porcentagem, eles se encontrem em número menor. Nós acreditamos que essa característica esteja relacionada às atividades de trabalho que eles exercem, já que algumas das funções ocupadas por homens envolvem mais contextos sociais”, pondera Amaury.

Tratamento

Não existem exames que auxiliem o médico a detectar o transtorno. Mas, apesar de ser um diagnóstico essencialmente clínico, a fobia social é de fácil identificação. Como mencionado no início da matéria, o transtorno pode vir associado a diversos outros distúrbios. “O paciente pode, mais adiante, desenvolver depressão ou alcoolismo, já que acaba bebendo para enfrentar as situações sociais. Outras fobias específicas e transtorno do pânico também podem estar associadas ao transtorno de ansiedade social”, alerta o médico.

Quando o paciente não precisa iniciar uma intervenção medicamentosa (assim como no transtorno obsessivo compulsivo, pacientes com fobia social podem usar medicamentos que agem na inibição seletiva da serotonina), a psicoterapia é a principal ferramenta na luta contra a fobia social.

Entre as técnicas usadas, estão o treinamento de habilidades sociais e as terapias de grupo. Enquanto a primeira trabalha as principais dificuldades do paciente e busca formas sistemáticas de desenvolver essas capacidades, a terapia de grupo põe o indivíduo em contato com outras pessoas que passam pelo mesmo problema. “A terapia de grupo é uma forma muito eficaz de tratar a fobia social. Quando o paciente percebe que outras pessoas têm as mesmas dificuldades, tende a encontrar com em conjunto algumas estratégias de superação, treinando-as no próprio grupo”, finaliza.

Fonte: Casa Saúde

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