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Professor do Recife causa polêmica ao decorar sala com bandeiras nazistas

Docente tratava do tema “regimes totalitários"; escola apagou post nas redes sociais após polêmica

A aula de História de um colégio particular do Recife causou polêmica nas redes sociais nesta terça-feira (11). Tudo porque um professor, ao tratar do tema “regimes totalitários”, decorou a sala de aula com bandeiras nazistas e usava uma braçadeira com a cruz suástica, tal como Hitler. As fotos da aula foram publicadas nas redes sociais da escola na última semana, mas, após a reverberação negativa, apagadas nesta terça. O caso aconteceu na Escola Santa Emília que funciona no bairro do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife.

Na página da escola, até o início desta tarde, internautas que discordaram do teor da aula classificavam a página da escola como “negativa” e se manifestavam contrariamente à escolha do professor por incorporar o que consideravam “o lado errado” da História, ao invés de abordar o assunto dando mais visibilidade às vítimas do regime nazista. 

De acordo com registros históricos, a política nazista de Adolf Hitler exterminou pelo menos seis milhões de judeus, além de outros números expressivos de pessoas que considerava “sub-humanas”, como homossexuais e ciganos. O episódio, batizado de Holocausto, ficou marcado como um dos maiores massacres da história da humanidade. As avaliações e mensagens também foram ocultadas da página da escola.

As fotos da aula, apesar de terem sido excluídas da página oficial do colégio, foram incorporadas a outra publicação que criticava a postura adotada pela escola e pelo professor para tratar do tema do nazismo. Até o momento em que esta matéria foi publicada, o post teve mais de 800 curtidas e mais de 830 compartilhamentos. Um dos comentários da publicação questionava a escolha do nazismo e não de outro regime totalitário menos emblemático. “Se a aula era sobre totalitarismo, porque ele não colocou emblemas do fascismo italiano, stalinismo soviético? E a Coreia do Norte, Sudão outros no oriente médio? Melhor nenhum emblema e menos ainda trajado como tal. Em outros tempos seria, talvez, menos agressivo.”
Defesa
Em resposta aos comentários negativos feitos à escola, pessoas que se identificavam como ex-alunos e pais de alunos utilizaram as redes sociais e se manifestaram em apoio à aula. Elas classificaram os recursos adotados pelo professor como uma forma de torná-la mais interessante aos olhos dos adolescentes. “O professor em questão ministra verdadeiras aulas-espetáculo que caíram no gosto dos alunos e é reconhecido por estes e colegas de profissão pela dedicação e comprometimento. No último mês, montou uma exposição sobre governos totalitários, para fazer com seus alunos se apoderem da melhor forma do conhecimento. São aulas interativas, que provocam amplos debates, incluindo ambientação física da sala de aula, a fim de envolver os jovens”, dizia uma das publicações mais populares em apoio ao colégio. 

Perfis que se identificavam como alunos da escola também publicaram fotos de outras aulas do professor, nas quais ele fez uso da mesma teatralidade ara abordar outros temas históricos. Segundo esses perfis, o professor não fez apologia ao regime nazista, mas, ao contrário, criticou a falta de democracia e os danos causados pelos regimes. Uma publicação do colégio de novembro de 2016 trazia o professor vestido com roupas que evocavam um religioso católico, cercado por velas, para tratar do tema “Cosmologia Medieval e o Humanismo”. Na publicação, o texto da escola explicava que o docente utilizava os recursos para “levar os alunos ao período medieval”. 

A equipe do portal FolhaPE foi até a escola no final da tarde, mas, foi informada de que o expediente administrativo já estaria encerrado. Por meio de nota publicada no final da tarde desta terça-feira, a escola ratificou que a aula do professor em questão “desenvolveu-se em um ambiente temático, com o intuito de torná-la mais dinâmica e interativa, oferecendo aos alunos uma experiência mais diferenciada”. 

A nota também afirmava que o colégio e os professores não compartilham dos ideais propagados pelo nazismo. “Os professores e equipes que compõem esta instituição não compactuam com valores que incitam o ódio, a violência e qualquer tipo de desprezo ao ser humano e outra forma de vida”, dizia o texto. Sobre a exclusão da publicação original, a escola afirmou que foi um ato estratégico devido aos comentários negativos. 

Leia a nota na íntegra:

“O corpo administrativo e pedagógico da Escola Santa Emília - Unidade Cordeiro vem a público manifestar-se a respeito da postagem publicada nas nossas redes sociais sobre a aula do professor Luiz Fernando e tranquilizar pais, alunos e a comunidade que confia no trabalho realizado por nós.

1. A aula ministrada pelo professor de história, Luiz Fernando, cujo tema foi regimes totalitários, desenvolveu-se em um ambiente temático, com o intuito de torná-la mais dinâmica e interativa, oferecendo aos alunos uma experiência mais diferenciada.

2. Durante o decurso da aula, segundo relatos dos nossos alunos, em momento algum cogitou-se a possibilidade de defender, pregar ou incitar a ideologia do regime nazista. Pelo contrário, o professor trouxe à tona o horror dos regimes totalitários e o quanto é importante a democracia.

3. Os professores e equipes que compõem esta instituição não compactuam com valores que incitam o ódio, a violência e qualquer tipo de desprezo ao ser humano e outra forma de vida. Acreditamos, sim, como educadores, na potência de crescimento do nosso corpo discente e nos valores democráticos de direito.

4. Decidimos, de forma estratégica, excluir a postagem específica do Facebook, dados os comentários agressivos e lamentamos profundamente que a forma encontrada pelo professor para ministrar a aula tenha sido má interpretada.

5. Quanto às acusações de apologia à divulgação do nazismo, não merecem prosperar. Como já afirmamos e reiteramos, não apoiamos qualquer tipo de regime ou ideologia que coloque desprezo ao ser humano ou alguma forma de vida. No link abaixo, o Dr. Denes Menezes, advogado especialista em direito digital, publicou rapidamente em seu blog um artigo sobre o ocorrido, com base jurídica de referência, demonstrando não haver nenhuma ilicitude na aula do professor: http://www.dmjus.com.br/suasticas-crime-nazismo/.

6. Por fim, queremos agradecer ao apoio e a solidariedade dos pais e dos alunos sobre o ocorrido. De qualquer forma, também queremos pedir desculpas caso alguém tenha se ofendido devido à divergência da intenção do professor em ministrar a aula.

A Escola Santa Emília - Unidade Cordeiro novamente firma o seu compromisso com a educação, os valores democráticos e o respeito ao ser humanos. É dessa forma que acreditamos ser possível fazer do mundo um lugar melhor.”

Fonte: Folha PE

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