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Mercado prevê inflação em alta em 2018, diz pesquisa

Os analistas do mercado financeiro continuam otimistas com a queda da inflação neste ano, mas começaram a expressar preocupação com o comportamento dos preços no ano que vem, segundo a pesquisa semanal feita pelo Banco Central com economistas de bancos e consultorias.

De acordo com as projeções reunidas pelo Boletim Focus divulgado pelo BC nesta segunda-feira (8), os analistas esperam que o IPCA, índice oficial da inflação, suba de 4,01% neste ano para 4,39% no próximo. Há uma semana, eles esperavam aumento de 4,03% para 4,30%.

A diferença é pequena, mas expressa a incerteza de muitos analistas diante das dificuldades encontradas pelo governo para aprovar a reforma da Previdência no Congresso, dizem economistas.

A hipótese de uma derrota do governo é considerada remota, mas as concessões feitas nas negociações com o Congresso Nacional devem diluir a reforma, reduzindo a economia esperada com as mudanças nas regras de aposentadorias e pensões.

Esse cenário poderia provocar uma valorização do dólar em relação ao real, alimentando pressões sobre os preços, segundo os analistas.

"Se tivermos um movimento estranho na Previdência, como a não aprovação ou a aprovação desidratada em relação à proposta do governo, poderá haver fundamentos para apreciação do dólar", afirmou o economista Leandro Negrão, do Bradesco.

Ele não vê outros motivos convincentes para se preocupar com a inflação do ano que vem. As projeções do Bradesco vão na direção contrária das estimativas medianas apresentadas pelo Focus. O banco reduziu de 4,5% para 4,1% sua previsão para 2018.

A redução, disse Negrão, foi motivada pela expectativa de que os efeitos do fenômeno climático El Niño no segundo semestre serão mais amenos, reduzindo o risco de uma inflação de alimentos mais forte no início em 2018. No ano passado, o El Niño foi um dos principais fatores que fizeram a inflação aumentar.

A recuperação da economia, que deve começar neste ano e ganhar força em 2018, também não será suficiente para causar pressão inflacionária, afirmou Carlos Pedroso, economista sênior da holding bancária japonesa Mitsubishi UFJ Financial Group.

"As empresas vão recuperar as margens que foram reduzidas nos últimos dois anos por causa da recessão, mas ainda terão dificuldade de repassar o aumento", diz. Ele trabalha com uma inflação de 4,5% no próximo ano.

DEMANDA FRACA
Segundo o Boletim Focus, os analistas preveem que o PIB (Produto Interno Bruto) crescerá 0,47% neste ano e 2,5% no próximo, pondo fim à recessão iniciada em 2014.

A demanda fraca é a razão apontada por Rafael Cardoso, economista da Daycoval Investimentos, para manter sua projeção de inflação. "Estimamos que o IPCA deve avançar 4%. Há uma ausência de demanda generalizada por causa da crise."

A revisão da inflação para o próximo ano não teve impacto no mercado de juros. Os contratos futuros, que servem como um termômetro para a expectativa em relação à taxa básica da economia, fecharam com sinais mistos.

As taxas do contrato com vencimento em janeiro de 2018, um dos mais negociados, tiveram leve alta, mas outros contratos com vencimento no próximo ano recuaram, sinal de que os investidores não esperam que o BC tenha que aumentar os juros. 

Fonte: Folha de São Paulo

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