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Sexo faz bem em qualquer idade

Especialistas desmistificam tabus e orientam idosos a ter vida sexual ativa

Nesta segunda-feira (31), especialistas em sexualidade terão uma oportunidade especial para debater sobre diversos assuntos com interessados no tema. Na data, é comemorado o Dia do Orgasmo, criado há quase 20 anos por lojas britânicas especializadas em produtos eróticos para chamar a atenção da população sexualmente ativa, entre 16 e 65 anos. Mas, assim como outras datas que promovem uma discussão sobre o sexo, exclui uma parcela da sociedade: os idosos.

Para a ginecologista e sexóloga Karina Cidrim, do Hospital da Mulher do Recife (HMR), os pacientes na terceira idade, além de enfrentar questões biológicas, esbarram em fatores culturais. “Existe um preconceito da sociedade com a terceira idade em geral. Um idoso se exercitando na academia, por exemplo, não é bem visto pelos outros. Os pacientes, principalmente as mulheres, acham que já estão velhos demais para o sexo. Na verdade, elas foram ensinadas a pensar dessa forma”, pontua a médica.

Por envolver diversos fatores, especialistas em sexualidade costumam analisar o histórico do paciente a fim de encontrar a causa de eventuais problemas. “Nós vemos diferenças entre homens e mulheres. Enquanto elas acabam cedendo por pressão do marido, eles se obrigam a ter uma vida sexual por autoafirmação. O desejo sexual, por ser multifatorial, tem que ser trabalhado tanto na parte clínica como na parte psicológica”, esclarece Karina.

Quando as disfunções sexuais nessa fase da vida estão relacionadas a problemas biológicos, a principal intervenção médica, no caso das mulheres, é a reposição hormonal. “As indicações de hormonioterapia são bem específicas e o tratamento deve ter acompanhamento médico. Já para aquelas que sofrem com o ressecamento vaginal após a menopausa, os cremes à base de hormônios ou lubrificantes são boas opções para minimizar eventuais desconfortos. Tentamos entender a causa da dor para optar pelo melhor tratamento”, ressalta a ginecologista.

Quando o problema tem raiz em questões psicológicas, a saída adequada é procurar apoio na terapia sexual. “Esse acompanhamento pode ser feito com qualquer profissional da área de saúde que tenha habilitação no assunto. Nas sessões, trabalhamos com técnicas específicas para atenuar os sintomas desconfortáveis. Porque não adianta receitar hormônio e não trabalhar outras queixas pessoais que passam na cabeça da paciente”, acrescenta.
Para a aposentada Janete Coutinho, 81 anos, exercer plenamente a sexualidade é não se importar com rótulos. “Eu sou de um tempo arcaico. Naquela época a mulher tinha que se casar virgem. Só comecei a evoluir depois que deixei meu primeiro marido. Hoje faço tudo o que meu coração manda e minha vontade pede. Não tenho preconceito e não me incomodo com idade”, conta Janete, que já está no terceiro casamento.

Aliado a um estilo de vida saudável, o sexo pode, inclusive, retardar distúrbios comuns na velhice. “A sexualidade é um medidor de qualidade de vida. Se a pessoa tem uma vida sexual prazerosa, ela terá uma melhora na qualidade de vida. Esse bem-estar físico e psicológico auxilia na prevenção de doenças”, defende a especialista.
Fonte: JC Online

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