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Especialistas comentam a escolha do tema da redação do Enem

A escolha do tema ‘Desafios para Formação Educacional de Surdos’ para a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano pegou muita gente de surpresa. A maioria dos candidatos esperava temas de discussão mais atuais, com presença constante no noticiário. Mas especialistas e professores ouvidos pela reportagem consideraram positiva a escolha do assunto pois coloca a temática em debate.

Adriana Di Donato, doutora em Linguística e pesquisadora sobre educação de surdos com experiência na educação básica, explica que a banca corretora das redações pode ter dificuldades na hora de avaliar os textos. “Essa não é uma pauta comum. Estamos falando de parte da população brasileira que vive na invisibilidade, é um tema com muitas especificidades”, ressalta.

Para Adriana, que também ensina no curso de fonoaudiologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a discussão provocada pela escolha da redação vai aumentar a sensibilidade sobre o problema. “Quando a gente fala de educação inclusiva, de uma maneira geral, sempre vai se pensar em rampas de acesso e outros recursos, mas a criança surda tem uma particularidade”, diz.

“Os surdos brasileiros não têm uma educação linguística até os seis anos de idade, quando ingressam na escola. Elas chegam à escola sem uma língua, já que muitos pais não falam a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Ou seja, uma criança surda funciona de uma maneira diferenciada. Como ela vai aprender a modalidade formal e os conteúdos dados em sala de aula? O ideal seria uma escola bilíngue”, reflete a professora da UFPE.

“Eu defendo que o Brasil tenha um programa linguístico que contemple estas questões. Se elas chegam sem língua à escola, nós temos a construção da identidade desse indivíduo comprometida”, detalha a doutora em linguística.

A professora Izabelly Santos, habilitada em Libras e atualmente graduanda em Letras com habilitação em Libras, ressalta a importância da escolha do tema. “O País inteiro vai parar para refletir sobre a situação das minorias linguísticas”, observa.

Docente de Libras na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), ela enfatiza que os desafios para a formação educacional de surdos são muitos, mas destaca a formação dos profissionais envolvidos na comunidade escolar como um dos principais entraves a serem vencidos.

“Não adianta apenas termos intérpretes na sala de aula se os demais profissionais da escola não dominam a língua. Como esse aluno vai circular livremente na escola se ele não é entendido?”, questiona Izabelly, que também coordena um projeto que atende alunos surdos do ensino fundamental, o Getlis, vinculado ao programa de pós-graduação em ciências da linguagem da Unicap.

Eduardo Ferreira, professor de redação do Colégio GGE, no Recife, também enalteceu a escolha do assunto. Para ele, os estudantes devem ficar atentos às especificidades do tema. “A gente costuma falar sobre inclusão das pessoas com deficiência, mas o tema propõe que o candidato aponte os desafios da formação escolar. Eu sempre digo para meus alunos prestarem muita atenção nos textos de apoio para entender a proposta da redação. Mas, sem dúvidas, o assunto pegou muita gente de surpresa”, explica.

Fonte: NE10

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