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Tetra Mundial de F1 ,Lewis Hamilton, fala sobre suas tatuagens

Em bate-papo descontraído, Hamilton fala sobre seu amor pelas tatuagens

Tetracampeão mundial comenta, em entrevista exclusiva ao GE.com, o significado de alguns dos desenhos em seu corpo: "Não tenho nenhuma tatuagem apenas porque é uma imagem bonita"

No fim da tarde desta quinta-feira, no chuvoso e frio Circuito de Interlagos, Lewis Hamilton não escondia na face os sinais do cansaço. Provavelmente o que mais desejava fazer é o que mais gosta, sentar logo no seu Mercedes W08 Hybrid e começar os treinos do GP Brasil, o que fará nesta sexta-feira, a partir das 10 horas. Será a primeira vez que vai entrar na pista depois de se tornar quatro vezes campeão do mundo, dia 29, no GP do México. 

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Em bate-papo descontraído, Hamilton fala sobre seu amor pelas tatuagens

Foram dois dias longos de intermináveis entrevistas em São Paulo. Com o profissionalismo de sempre, Hamilton recebeu o GloboEsporte.com no motorhome da Mercedes. Era a última do dia e, possivelmente, do fim de semana, ao menos para falar de sua conquista. Só que o foco da conversa não foi a temporada, para muitos a melhor da carreira, mas ele próprio, sobre algo que não costuma falar: as muitas tatuagens que tem no corpo.
Ao ouvir do que se tratava, já na introdução da entrevista, Hamilton levantou as sobrancelhas e esboçou um amável sorriso. Não está claro se era porque estava feliz por falar de um tema distinto dos abordados ou se aqueles segundos sem se pronunciar nada representavam, na realidade, uma pausa para reflexão: 'será que levo adiante esse papo?'
Topou!
Os pilotos de F1 se apresentam para o público, quando praticando seu esporte, de macacão, luvas e capacete. Hoje as empresas que investem neles e nas suas equipes estão mais liberais do que até a algum tempo atrás. É comum ver pilotos como Hamilton e seu adversário na luta pelo título, o alemão Sebastian Vettel, da Ferrari, de bermuda e camiseta. Quando isso acontece, algumas das muitas tatuagens desse notável piloto inglês de 32 anos ficam expostas. Vettel já falou que não gosta delas, pelo menos nele.
Pois Hamilton sente orgulho delas. “Amo tatuagens. Eu penso o tempo todo que tipo de tatuagem eu posso fazer. Nos próximos seis meses você verá, vou colocar muitas mais.”
Em um ensaio fotográfico realizado em 2015, Hamilton fez pose de modelo para expor suas tatuagens. Como ele disse ao GloboEsporte que faria muito mais e já naquela época pareciam tantas, o repórter perguntou se há ainda espaço no seu corpo. Breve sorriso, Hamilton está completamente relaxado. “Tenho ainda muito espaço.”
O tema o entusiasma: “Só não tenho mais tatuagens porque eu não dispus de tempo para escolher as novas, que artista poderia produzi-las, qual a melhor posição para aplicá-las. É o que vou fazer agora no inverno (expressão de satisfação)”. Depois do GP do Brasil, Hamilton viaja a Abu Dhabi para a disputa da 20ª e última etapa do campeonato. “Depois terei bons dias de férias.” Na Europa será inverno.

Todas tem um significado maior

Essa paixão por tatuagens tem boas razões. Ele explica: “Cada uma representa algo para mim, algo que vivi, respeito, acredito. Não tenho nenhuma tatuagem apenas porque é uma imagem bonita. Elas têm de me remeter a alguma coisa que amo, cultuo, preso. Eu fiz, por exemplo, uma inscrição nas costelas, próximo ao coração, com antigos carácteres chineses, falam de amor. E eu sou uma pessoa que cultua o amor, por isso decidi colocá-la próxima do meu coração”.
A exemplo do seu ídolo, Ayrton Senna, Hamilton não esconde ser um homem de fé. Sua religiosidade está eternizada também em tatuagens. Explica que escolheu uma das Pietás de Michelangelo para representá-la. Está no seu braço direito, junto da palavra “faith”, fé. E a bússola que tem tatuada do peito tem um significado: “Guiado por Deus”. E na parte superior do peito inseriu “Powerful beyond mesure”, ou “Poderoso além da medida”.
Mas é nas costas que Hamiltom expõe com maior intensidade seu apego a Jesus e Deus. No ensaio fotográfico de 2015 publicado pela revista Men's Health foi possível ver a imensa cruz, com asas de anjos, e os dizeres “Still I rise” ou “Ainda assim eu me ergo”. O tom de voz, o posicionamento do olhar, a paz que emana da sua fala mansa, voz baixa, sugerem sentir-se protegido.
Não raro, afirma nas entrevistas: “Nosso esporte é perigoso. Quem imaginava um acidente como o de Jules Bianchi”. No GP do Japão de 2014, o piloto francês, da equipe Marussia, saiu da pista, no molhado, e colidiu contra um trator que retirava a Sauber de Adrian Sutil, parada na área de escape. As lesões neurológicas o mataram nove meses depois.
Outra tatuagem de Hamilton é dedicada à família. “Ela é muito importante para mim, é tudo.” Hamilton tem o nome “family” se estendendo sobre o ombro direito. A coleção é vasta. E, pelo que contou, até o início do campeonato de 2018 crescerá bastante.

Horas pesquisando

Hamilton dá mais detalhes da sua adoração por tatuagens. “Passo centenas de horas com o laptop apoiado nas pernas, antes de dormir, pesquisando no google e em espaços especializados, procuro diferentes tatuagens, novas experiências, imagens, sozinhas e nos outros, busco inspiração para algo que possa expressar o que penso, sinto.”
Falou mais, sempre com grande interesse na conversa: “De repente vejo algo que me toca a alma e fico tentando adivinhar como ficaria em mim, em qual lugar do meu corpo seria melhor colocá-la. Você não tem ideia quanto invisto nisso (risos), adoro essa experiência”.
Apesar desse desejo quase compulsivo de ter tatuagens no corpo, o piloto diz ser cuidadoso, precavido. “Tenho um amigo com um braço completamente coberto por tatuagens. Ele deixou uma pessoa fazer e não gostou. E decidiu remover. Não quero colocar algo em mim e depois tirar. Esse meu amigo ficou horas e horas para remover, queimam a pele para a nova poder cobrir a que lá estava, bastante dolorido. Não desejo passar por isso.”
Nesse contexto, uma pegunta emerge de imediato. Se já se arrependeu de alguma tatuagem dentre as muitas que possui, afinal as pessoas mudam, reveem conceitos com o tempo. Hamilton respondeu: “Eu não me arrependo de nenhuma. Algumas, eu diria, se seu soubesse, conhecesse melhor os processos de se fazer uma tatuagem, eu teria ido para este ou aquele artista mais específico, mais de acordo com o estilo. Hoje eu checaria mais se atendia meu gosto. Sou bastante detalhista. Gosto da perfeição, posição, ângulo, cores. Já passei por situações em que o artista teve de refazer parte do trabalho.”
As atividades profissionais de um piloto de F1 se estendem para bem além dos treinos e das corridas nos fins de semana de GP. Eles vão com regularidade à sede de suas equipes, para reuniões técnicas ou de outra natureza, praticam horas e horas de ensaios nos simuladores antes de cada GP, participam de inúmeros compromissos promocionais organizados pelos patrocinadores, ou o próprio time, sem mencionar as pelo menos 4 horas diárias de treinamento físico. Para pilotar um carro de F1 por quase duas horas é preciso ser um superatleta.
Em resumo, o tempo livre dos pilotos, durante a temporada, é exíguo. Mas como Hamilton gosta tanto de tatuagens, já que não pode ir até os artistas que as fazem então eles vêm até ele. “Sou obrigado a trazê-lo onde estou, por falta de tempo.”

Tatuagem no intervalo dos treinos

Não é preciso perguntas, Hamilton discorre espontaneamente sobre assunto que claramente o agrada. “Vou te contar uma história. Em 2013 (primeiro ano na Mercedes, antes competiu pela McLaren), estava fazendo uma tatuagem no braço e não tivemos tempo de terminar. Os testes da pré-temporada (em fevereiro), no Circuito de Barcelona, iriam começar. O artista foi até lá e depois de eu treinar o dia inteiro ele trabalhava no meu braço à noite, no hotel. E houve dias em que ele trabalhava no meu braço no intervalo do treino, no almoço, entre a sessão da manhã e da tarde, no motorhome.”
A seletividade de Hamilton, hoje, na escolha dos profissionais escolhidos, tem dado certo. “Eu sempre gosto do resultado, tanto que apenas acabo a tatuagem e já quero outra. Tenho fotos, sim, para vê-las (nem todas são visíveis por não estarem no seu campo natural de visão). Às vezes eu olho no espelho e digo oh!, olha a minha tattoo, eu não lembrava dela!”
Curiosamente não há tatuagens que remetam o piloto a F1. “Não acho que vou sentir falta da F1 quando parar de correr. Claro, é algo que fiz a minha vida toda, vou sentir falta de pilotar, da competição, ver o carro nos boxes, o pessoal trabalhando. Mas estarei satisfeito, também, com o excepcional tempo que tive aqui na F1. Tenho consciência de que viverei, depois, outra realidade.”
Apesar de dizer não saber, ainda, o que fará da vida, uma coisa é certa: “Vou estar tão ocupado que não terei tempo de pensar muito em F1. Se você não tem o que fazer, então é natural que pense em voltar para fazer algo, mas como tenho muitos planos, não certos ainda, não será o meu caso”.

Arrojado ou conservador com o dinheiro?

O repórter conta a Hamilton uma resposta que Michael Schumacher lhe deu, em 2006, quando decidiu parar de correr pela primeira vez. A pergunta era sobre o que faria com o dinheiro. Se ele era um empreendedor ou um cidadão mais conservador. O piloto alemão respondeu não desejar empresariar nada, preferia manter o dinheiro rendendo, com segurança, nos bancos. O repórter questiona Hamilton com qual tipo se identifica.
Só o contrato com a Mercedes rende ao inglês 36 milhões de euros (R$ 136 milhões) por ano, mas sua receita anual é estimada em mais de 50 milhões de euros (R$ 190 milhões), com as verbas de prêmios e publicidade pessoal.
Hamilton diz com todas as letras: “Eu não quero morrer com todo o dinheiro no banco. O dinheiro é também para você aproveitar a vida. É importante encontrar um equilíbrio entre gastar e preservá-lo. Você investe, digamos, 5%, outros 10% faz isso, aquilo. Acho que vou gerenciar dessa forma. Para mim, pessoalmente, já compro carros, o que amo demais, demais. É como falei, desfrutar em vida. Com minha família, por exemplo, quando estou com eles de férias, considero o dinheiro mais bem gasto que existe, as memórias desses viagens são eternas”.
E o piloto pensa até em investimentos empresariais. “Por que não pensar em se envolver com companhias que estão desenvolvendo novas tecnologias, como a Tesla, por exemplo, coisas desse tipo”.
A música faz parte do dia a dia de Hamilton. Mas não para viver dela. “Amo a música. Fazer negócio com música, porém, é muito difícil, é mais uma paixão. Tenho um estúdio na minha casa nos Estados Unidos e terei em breve um segundo. Não posso viver sem ela, sem usar os fones de ouvido. Há tantas músicas no meu celular que duvido quem tenha mais. Todos os tipos. Trabalho com diferentes produtores que me mandam dezenas de músicas, dizem ouça isso, Lewis, ouça aquilo Lewis. E eu ouço todas, indistintamente.” (Risos)
Tatuagens, carros, viagens, música, tudo que Hamilton gosta. Mas há algo ainda mais grandioso ainda não experimentado, como contou: “Espero ter, um dia, a minha família. Amo crianças, o que de mais extraordinário acontecerá na minha vida”. 
Fonte:Globo.com/F1

 

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