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Mendonça Filho: golpismo e sobrevivência de um animal político

Mendonça Filho: golpismo e sobrevivência de um animal político

Por Professor Dr. José Adilson Filho

Entre a década de 1990 e inicio do século XXI, o clã dos Mendonça da cidade de Belo Jardim(PE) conquistou significativa projeção política, chegando mesmo a se constituir numa das oligarquias mais influentes da política estadual. Disso resultou a indicação de Mendonça Filho, atual ministro da Educação, para vice-governador por duas vezes consecutivas na chapa vitoriosa encabeçada por Jarbas Vasconcelos ao governo do estado de Pernambuco.
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Mas, com a chegada de Eduardo Campos ao governo do Estado e de Lula à presidência do Brasil. a força do clã declinou rapidamente em tamanho e prestígio. E para piorar - com o falecimento do patriarca e ex-deputado federal José Mendonça, em 2011 - viu sua coesão dissolvida na cidade de Belo Jardim depois que ex-prefeito João Mendonça buscou alçar voo próprio, isto é, constituir sua própria liderança na terra do bitury.
Assim, primos outrora coesos e cúmplices tornaram-se ferrenhos "adversários". As aspas são para dizer aos iniciantes e desavisados que este racha (apesar das intrigas e ressentimentos) faz parte da estratégia da família de ser ela a única a hegemonizar a cidade, a controlar os dois principais lugares de poder: o governo e a oposição.
Tal pretensão fora temporariamente prejudicada pelo retorno dos Galvão à prefeitura municipal, através da vitória de Hélio dos Terrenos - espécie de novo rico, self-made man da cidade. Contudo, a situação dos Galvão depende quase exclusivamente do nome e do carisma de Cintra Galvão, um velho de quase 90 anos, detentor de expressivo capital social e simbólico, mas difícil de ser transferido e mesmo apropriado por seus herdeiros.
Além disso, não há outras forças que se coloquem contra a hegemonia destes clãs. As esquerdas ainda são pouco representativas e, com efeito, têm apostado em alianças mais pragmáticas com destes clãs.
Não há contrapontos ou novos sujeitos dispostos a romper com este ciclo vicioso. Aqueles que são apresentados como novos atores, na verdade, não passam de meras fabricações dos clãs para fortalecer ainda mais a permanência no poder local.
Mas essa incapacidade para forjar lideranças novas e progressistas, democráticas, não é um problema local, faz parte da crise de legitimidade pela qual passa a política no.mundo todo. Exemplos disso são a vitória nos EUA de um Donald Trump ou a projeção de uma figura grotesca como Jair Bolsonaro no Brasil, entre outros.
No Brasil, tal crise da política fora artificialmente manipulada e orquestrada pela mídia para eliminar da cena os representantes das camadas populares e colocar no seu lugar políticos reacionários e decadentes. A partir do golpe parlamentar, políticos em declínio como Mendonça Filho, encontraram uma chance de sobrevida, isto é, de fazer o espectro familiar continuar brilhante . O golpe parlamentar (de 17 de abril e 31 de agosto de 2016) fora feito também com o intuito de preservar diversos animais políticos da extinção. É por isso que Mendonça Filho e Bruno Araújo, (ambos filhos de Belo Jardim) serviram tão fielmente aos planos dos vigaristas Eduardo Cunha e Michel Temer. Sem essa obediência servil ao golpismo que tirou Dilma do poder, eles, dificilmente, ocupariam tais lugares de poder.
Agora, no cargo de ministro da educação, Mendonça Filho ou simplesmente Mendoncinha, pode, vez por outra, reunir na Fazenda São José, prefeitos, vereadores, lideranças locais, deputados e candidatos para ouvir seus pleitos e barganhar alguns dividendos políticos, fundamentais a existência do seu grupo político e a perpetuação do nome do clã.
O que mais esperamos é o que os cidadãos de Belo Jardim consigam romper com este lastro de paixão e desrazão que os unem aos golpistas da cidade. Pois, não dá para servir a dois senhores ao mesmo tempo: defender Lula e a democracia, no plano nacional, e continuar no plano local, apaixonados por Mendonça Filho, Bruno Araújo, Armando Monteiro e seus respectivos clãs.
Já está na hora de superarmos esse nosso complexo de vira-lata,
que alimenta e legitima a longevidade do poder destes zumbis - mortos-vivos da política local e nacional - cuja força consiste em conspirar contra as mudanças e avanços a favor do povo brasileiro.
E é na esfera local que, primeiramente, devemos nos insurgir contra eles, lutando firmemente para superá-los. Porém, para isso, temos que criar novos atores forjados na luta e advindos das camadas médias e populares.



Professor Dr. José Adílson Filho
Adjunto pela Universidade Estadual da Paraíba/ Historiador e Sociólogo



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