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Médico da UPA será investigado por nove estupros

Até o momento, foram relatados seis casos na UPA da Imbiribeira e outros três, em uma unidade de saúde particular

Nove mulheres relataram à Polícia ter sido vítimas de abuso sexual por parte do médico ortopedista Kid Nélio Souza de Melo, de 35 anos, que foi preso preventivamente por 30 dias na manhã desta sexta (2), após comparecer para depor. Outras três vítimas estariam no processo de formalizar denúncia. Há relatos de abusos tanto no atendimento na UPA da Imbiribeira como em um hospital particular onde o ortopedista também dava plantões.

"Não se trata de um estuprador eventual, estamos diante de um serial", disse o chefe da Polícia Civil, Joselito Kehrle do Amaral, durante a coletiva oferecida à imprensa após a prisão acontecer. Segundo o apurado até o momento, Kid Nélio agia dessa forma há pelo menos três anos, valendo-se de sua posição de autoridade como médico. As investigações continuam e o número de vítimas pode crescer. "Pelo fato de ele ser do Rio Grande do Norte, acreditamos que lá existam mais vítimas. Com o posicionamento da polícia, acreditamos que outras se encorajarão e nos procurarão para fazer a denúncia", relatou Joselito.

Os relatos começaram no último dia 21 de fevereiro, quando uma paciente de 18 anos que ele atendeu na UPA da Imbiribeira foi à Delegacia da Mulher denunciar o estupro sofrido. A jovem passou por diversos exames, inclusive sexológico para coleta de resíduos de sêmen do agressor. Kid Nélio, porém, se negou a colher material genético para comparar com o sêmen, admitindo que seria dele mesmo. O médico confessou ter tido relações sexuais com duas das mulheres, mas alegou que os atos foram consensuais. O médico disse à Polícia que chegou a fazer um exame traumatológico no Rio Grande do Norte para dizer que não aconteceu nada, alegando que não tinha lesões e arranhões.

A titular da Delegacia da Mulher de Santo Amaro, a delegada Ana Elisa Sobreira, afirma que uma décima vítima registrou denúncia contra Kid Nélio nesta sexta. "Relatos que estão chegando na delegacia são de vítimas que dizem que desde 2016 foram abusadas, mas pode ser que ele tenha começado isso bem antes. De acordo com uma das vítimas, em uma cirurgia ele se aproveitou do momento que ela estava anestesiada e aproveitou para praticar o abuso", pontou a delegada.

Seguindo Ana Elisa, cada vítima passou por uma situação diferente antes de ser abusada. "Normalmente, na UPA, os pacientes passam por três setores: atendimento inicial, exame de raio-x e sala para tomar medicação. Elas falam que sempre que voltavam para ele, Kid Nélio encaminhava novamente para uma dessas fases e cometia o abuso", explicou.

Uma das vítimas teria se queixado à UPA da Imbiribeira, mas após questionamentos ao médico e a apresentação de sua versão, nada foi feito. A delegada Ana Elisa relata como aconteceu a prisão nesta sexta. "Ele foi intimado a comparecer à delegacia. Através de diligências, procuramos ele quatro vezes em sua residência. Depois decretamos a prisão e, quando ele foi prestar o depoimento, foi anunciada a sua prisão. Ele ficou surpreso, pois achou que após confessar o crime seria liberado da denúncia", detalhou. "Kid Nélio está sendo acusado de crimes de cunho sexual, mas apenas no decorrer das investigações, será possível definir se foi estupro ou, por exemplo, importunação ao pudor. De pronto, temos dois estupros bem caracterizados", completou.

Entenda o caso
O médico ortopedista Kid Nélio foi inicialmente acusado de estuprar uma jovem de 18 anos, durante atendimento na UPA da Imbiribeira, no último dia 21 de fevereiro. Após o caso ser divulgado, outras pacientes buscaram a Delegacia da Mulher para denunciar abusos e o caso ganhou impacto nas redes sociais, onde os internautas cobravam a divulgação do nome do médico e providências para investigá-lo e puni-lo. 

O ortopedista, que é natural do Rio Grande do Norte, foi afastado do trabalho e tinha voltado para seu estado de origem. Porém, nesta sexta (2), após receber quatro intimações, resolveu se apresentar à polícia e foi preso por 30 dias pelas delegadas Gleide Ângelo e Ana Elisa Sobreira, de forma temporária preventiva. Após prestar depoimento e passar por exame de corpo de delito, ele foi encaminhado ao Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima.

Fonte: Folha PE

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