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Como fazer atividade física por amor e não por obrigação

Parece que emagrecer é obrigatório.

Se você não tem “o corpo perfeito” você tem que estar fazendo de tudo para ter. Essa é a mensagem que recebemos o tempo todo. Nas redes sociais. Da mídia. De alguns profissionais de saúde. Às vezes, da nossa família. De pessoas aleatórias “preocupadas com nossa saúde”. E, principal e infelizmente: de nós mesmas.

Se você não tem “o corpo perfeito” ou seja, todas nós ficaremos todas sofrendo silenciosamente, com vergonha do corpo, com medo de engordar, comendo escondido e muitas vezes compulsivamente como se o projeto-corpo-novo-vida-nova-vida-perfeita que vai começar na próxima segunda-feira fosse resolver absolutamente todos os nossos problemas.

Olha o peso disso.

Tem uma vozinha na nossa cabeça que não para de nos lembrar da importância desse projeto enquanto critica, julga e odeia o nosso corpo.

Uma das formas de tentar “consertar” esse corpo tão “imperfeito” – impossível não usar aspas, desculpa – é fazendo atividade física.

Em um mundo que diz que fazer atividade física é algo apenas direcionado ao emagrecimento, é difícil mesmo gostar de fazer. Principalmente se você é ou se acha gorda.

Nesse mundo da mentalidade de dietas e dos padrões inatingíveis de beleza, o exercício físico é o sacrifício que te separa do mundo maravilhoso das mulheres magras (também conhecidas como “as bem-sucedidas que tem força de vontade pra controlar a boca”). É um pedágio emocionalmente muito caro que se impõe pra quem está na busca desesperada para emagrecer.

A grande questão é que a atividade física não serve só pra isso.

  • Fazer atividade física:
  • Ajuda a controlar a ansiedade e depressão;
  • Diminui o desejo por doces;
  • Melhora a qualidade do sono;
  • Melhora a autoconfiança;
  • Aumenta o poder de relaxamento;
  • Nos deixa mais fortes e dispostas;
  • Aumenta o sentimento de felicidade;
  • Aumenta a probabilidade de viver mais anos e de forma mais saudável;
  • Melhora a coordenação motora e equilíbrio corporal;
  • Nos deixa mais animadas e otimistas;
  • E muuuuuuito mais!


Mas daí existem dois problemas:

Recebemos taaantas mensagens de que “ser magra é a melhor coisa do mundo” e “deve ser o desejo obrigatório de toda mulher de sucesso” que todos esses outras benefícios acabam parecendo pequenos e secundários. Perto da perfeição do mundo encantado das mulheres magras, ser saudável, se sentir forte e disposta logo após a atividade física não é tão bom.

Ser saudável, se sentir forte e disposta logo após a atividade física não é tão bom quanto a perfeição do mundo encantado das mulheres magras. O primeiro e principal objetivo é ser magra porque (nessa lógica) ser magra vai trazer felicidade, autoconfiança, saúde, etc.

Ser magra primeiro. Ser feliz, saudável, forte e autoconfiante – teoricamente – é consequência.

Teoricamente.

Milhares de mulheres estão vivendo dia após dia de ódio ao corpo e restrição alternada de compulsão alimentar na busca desse cenário aí de cima.

Nós estamos falando de ANOS. Muitas mulheres (como foi meu caso), passam toda a vida adulta – algumas desde a infância – nessa guerra, se privando de realmente desfrutar dos benefícios da atividade física e ter experiências incríveis com o corpo porque o único objetivo de se movimentar é fazer sacrifício para emagrecer.

Olha o peso disso.

É mesmo muito difícil gostar de fazer alguma coisa que é feita por obrigação e com todo esse peso e cobrança.

Eu passei aaaaanos fazendo atividade física unicamente para emagrecer – tá, eu até falava que era por saúde, mas eu nem sabia o que era saúde nessa época… achava que saúde era comer peito de frango grelhado com salada e batata doce, e me matar na academia…


Eu fazia atividade física por punição.

Era mais ou menos assim: se você quer emagrecer, deve comer pouco ou quase nada. Se você come, você é uma louca descontrolada que merece ser punida por comer o que não deveria. E uma das formas de punição é a atividade física que não é feita por prazer.

Ou eu fazia atividade física para ter crédito pra poder comer.
Olha que louco isso!

Como comer é “errado” e quem quer emagrecer não deve comer (ou deveria comer o mínimo), a atividade física acaba dando um crédito para as calorias futuras. Tem até aquela expressão tão comum nas redes sociais: o famoso “tá pago”.

Olha o peso disso.

Eu queria poder dizer pra você que depois desse texto você vai instantaneamente ressignificar a atividade física na sua vida. Mas infelizmente não é assim que funciona a vida. É um processo. No meu trabalho, eu ajudo mulheres a transformar a relação que tem com o corpo e com a comida e já aprendi que como todo processo, leva tempo. E trabalho. E amor e vontade e tudo mais que for necessário para uma mudança consistente e que valha a pena. E ser capaz de fazer qualquer coisa – qualquer coisa mesmo, incluindo atividade física – a partir de um lugar de amor e autocuidado, vale MUITO a pena.

Sem peso, sem julgamento.

Eu quero dividir com vocês algumas coisas que, na minha jornada pessoal, me ajudaram a parar de buscar a atividade física por vergonha do meu corpo e começar a me movimentar por amor a ele.

Lembre-se: isso foi o que funcionou pra mim – e só funcionou porque fazer atividade física era uma coisa que eu queria muito, não era algo que eu estava começando porque achava que devia. Eu queria entender a diferença entre as pessoas que corriam maratonas e eu, que nunca tinha feito sequer uma corrida de 5km.

A primeira coisa foi justamente entender que eu estava sendo influenciada pelas mensagens tóxicas de como devemos nos exercitar. Para mulheres, o foco é emagrecer. Para homens, o foco é ficar fortão.

Se você realmente quer parar de se exercitar por ódio e julgamento e passar a fazê-lo por amor, essas dicas podem ser úteis

1 . Aceite seu corpo exatamente como ele é
Essa é a parte mais difícil de explicar porque as pessoas confundem aceitação com conformismo. Aceitar é o meio, não o fim. Não é aceitar e pronto. Acabou. Fica gorda. Nããão.

Aceitar meu corpo era algo que soava completamente impossível pra mim e o problema era que eu não via, nem sentia meu corpo.

Meu corpo era uma obra em andamento. Eu não via o corpo que eu tinha, eu o via sempre como algo em potencial: “ok, hoje meus braços são grandes, mas um dia eles poderão ser super tonificados e isso é ótimo”. A mesma coisa com minha perna e barriga. Um dia…

E “aceitar” meu corpo dessa forma fazia com que a atividade física fosse uma verdadeira tortura pra mim. Eu me exercitava de forma totalmente focada em um resultado e isso fazia com que em momento algum eu curtisse o fato de estar em movimento. Eu só queria saber quando ia começar a “fazer efeito”.

Quando eu passei a aceitar meu corpo como ele é, eu simplesmente desisti de encarar a atividade física como uma ferramenta de emagrecimento ou de mudança do corpo, e passei a focar no que ele pode fazer pelo meu corpo e pela minha mente.

Eu não fico mais pensando: “vai lá, se você correr só mais 900m, você vai vestir 38”.

É claro que eu adoro ver os resultados da atividade física em mim. Mas eu mudei a forma como eu defino esses resultados. Não é mais uma questão de “perder peso”, queimar gordura, ganhar massa muscular apenas. O resultado agora se mede em orgulho, em disposição, em força, em me sentir feliz por ter feito algo que pra mim era difícil mas mesmo assim eu consegui.

Aceitação também não é ficar se olhando no espelho, suspirando e se amando (mas também pode ser). Tem dias que a gente se olha e pensa: “ok, eu vivo nesse corpo, ele é o único que eu tenho, então eu não tenho escolha a não ser tentar viver em paz nele.”

E tá tudo bem. O processo de aceitar o próprio corpo não é um mar de rosas. É cheio de altos e baixos. O importante reconhecer que não dá mais pra fugir do próprio corpo, saber que existe um caminho e se comprometer em segui-lo.

Sem peso, sem julgamento.

2. Compre roupas de ginástica que te sirvam perfeitamente
Quem usa tamanhos maiores sabe exatamente do que eu estou falando. Tops que apertam. Calças que caem. Shorts que ficam subindo. E por aí vai.

A impressão que eu tinha era que roupas de ginástica serviam para te atrapalhar e querer desistir. Quem quer fazer atividade física usando uma roupa que não serve? Uma roupa que fica o tempo todo se mexendo, subindo, descendo, incomodando? Isso quando fazem roupas para o seu tamanho…

É impossível se sentir bem usando roupas desconfortáveis.

Mas, felizmente, hoje em dia existem marcas que passaram a entender as necessidades de pessoas que usam tamanhos maiores, e que produzem peças confortáveis, bonitas e funcionais. É só procurar na internet. Vale muito a pena investir!

Para mim, passar a me sentir confortável nas minhas roupas enquanto me exercitava me ajudou a também me sentir confortável na minha própria pele.

3. Exercite-se em lugares que você se sinta bem
Convenhamos: é terrível se exercitar num lugar onde todo mundo é magro, musculoso e sarado, menos você.

É muito bom ir em lugares com variedade de corpos e tamanhos, ver aquela pessoa gorda totalmente flexível e aquela pessoa magrinha superforte, e aquela outra está começando agora e dando os primeiros passos lado a lado com aquela pessoa que já é quase uma profissional. Fico sempre me perguntando o que faz alguém ser tão dedicado, resistente e superar limites, meu irmão, por exemplo, já correu 70km em um único dia na Patagônia! Uau! Acho inspirador porque ele realmente treina com paixão.

E é isso que eu procuro num grupo, numa aula, numa academia. Procuro aceitação de todos os tipos de corpo, de gênero, de cor, de idade. O exercício é algo necessário para o corpo humano e por isso deve ser para TODO mundo. Sem exceções. Se você está em um lugar que não tem diversidade, busque alternativas. É ótimo ser parte de algo que recebe e apoia todo mundo, que foca na celebração da capacidade do corpo. Todos os corpos merecem ser celebrados, e se exercitar é uma forma incrível de fazer isso.

4. Habite seu corpo
Antes de começar a me exercitar por amor ao meu corpo, eu fazia de tudo para adormecer e abafar as sensações do meu corpo. Aliás, eu nem conhecia meu corpo. Tinha morado 30 anos nele e não sabia um monte de coisas. Eu não comia o suficiente para ficar satisfeita e às vezes eu comia demais, pra ver se de alguma forma eu preenchia o vazio emocional que existia dentro de mim. Eu comia demais pra tentar fugir dos meus sentimentos, sentia vergonha e tentava esconder meu corpo.

Nenhuma dessas atitudes é saudável ou útil, é claro, mas são profundamente comuns. Eu não sou a única que passou por esse tipo de comportamento autodestrutivo para minimizar as dores da vida. Todos os dias vejo alunas minhas que se identificaram com minha história, decidiram mudar e hoje tem um relacionamento completamente diferente com o próprio corpo.

A verdade é que a vida é cheia de altos e baixos, e sempre vai ser assim. Tem dia que a gente fica de saco cheio de tudo e tem dia que quer sair por aí gritando que a vida é maravilhosa. E foi a atividade física que me ajudou a ter mais estabilidade emocional pra lidar com essa montanha russa.

E o processo no qual eu comecei a permitir realmente que a atividade física me tirasse desse ciclo negativo passou também pelo fato de eu passar e me tornar mais consciente dos sinais do meu corpo – fome, saciedade, necessidades e desejos.

Eu comecei a perceber quando eu estava com sede. Comecei a reparar quando eu estava cansada. Comecei a perceber quando eu precisava me mexer, quando eu precisava ficar quieta, me alongar, tirar um cochilo.

Foi quase um processo de recomeço. Essas atividades corriqueiras normalmente a gente aprende quando é bem criança, mas de alguma forma acabamos desaprendendo no decorrer da vida.

O fato é que, pra poder me exercitar e viver plenamente, eu precisava ficar mais consciente das necessidades do meu corpo. Eu precisava de uma verdadeira transformação emocional: ter um corpo não é algo ruim. Nosso corpo não serve “só pra engordar e emagrecer”.

Pensar assim nos impede de enxergar o quanto ele já é perfeito – ele respira, faz nossa digestão, nos leva pra lá e pra cá, nos faz sentir todo tipo de emoção, centenas delas em um dia só, por sinal.

Perceber que meu corpo é meu lugar no mundo me ensinou a honrar também os limites do meu corpo e as suas possibilidades, quando se trata de rotina de exercícios. Eu descobri que sou muito mais forte e flexível do que imaginava. Minha mente me limitava muito e a atividade física me ensina toda semana que posso mais. Também aprendi que gosto de competir comigo mesma, me superar e que posso fazer isso com gentileza, e não mais com vergonha ou como punição.

Eu cheguei até a esse ponto com o Coaching, terapia, reflexão, eventos ao vivo e atividades de autoconhecimento. Foi e é uma jornada e tanto! Sem peso, sem julgamentos. Me orgulho muito de ter escolhido me exercitar para nutrir, amar e fortalecer meu corpo, e não porque existe alguma coisa errada com ele. Porque não tem. Nem com o meu, nem com o seu.

Fonte: msn.com

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