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'É fácil bater no Michel Temer', diz presidente ao se comparar com Tiradentes em rede nacional

A retórica firme é uma tentativa de tentar reposicionar Temer no xadrez político, visto que ele deseja concorrer às eleições deste ano

O presidente Michel Temer aproveitou seu pronunciamento em rede nacional na noite desta sexta-feira (20) para fazer uma defesa mais contundente de seu governo e garantir que as eleições deste ano transcorram, em suas palavras, "na maior tranquilidade". No discurso, gravado nesta quarta-feira (18), no Palácio da Alvorada, o presidente falou em "torcida organizada pelo fracasso" e "disputa irracional que tenta jogar uns contra os outros", numa espécie de reação velada a seus adversários.

Na avaliação do emedebista, eles exploram sua baixíssima popularidade (70% de rejeição, segundo o Datafolha) e o avanço das investigações de corrupção no setor portuário - que têm ele e seus amigos mais próximos como alvo - para fragilizar seu governo e suas pretensões eleitorais. 

"É fácil bater no Michel Temer, é fácil bater no governo, é fácil só criticar. Quero ver fazer, quero ver conquistar. Quero ver construir e realizar o que conseguimos, avançar em tão pouco tempo", afirmou Temer. "A torcida organizada pelo fracasso tenta bater bumbo, tenta perder o jogo todos os dias. A verdade é que o Brasil virou esse jogo", completa.

A retórica firme é uma tentativa de tentar reposicionar Temer no xadrez político, visto que ele deseja concorrer às eleições deste ano, mas o avanço das investigações, inclusive com a prisão de seus amigos, parece ter transformado esse plano em mero instrumento de preservação pessoal. Temer aprovou o conteúdo e as imagens do pronunciamento, criados pela equipe do marqueteiro Elsinho Mouco, na manhã desta sexta. É a primeira vez ele gravou o vídeo sentado em sua mesa na biblioteca do Alvorada, o que, na avaliação de Mouco, confere um caráter "mais estadista" ao presidente.

Durante o discurso, que durou cerca de cinco minutos, Temer fala que é preciso respeitar a Constituição para não criar "insegurança e instabilidade entre pessoas e instituições". Apesar disso - e dos rumores criados após a reação pública nos quartéis na véspera do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula pelo STF (Supremo Tribunal Federal) -, Temer disse garantir que as eleições vão ocorrer "na maior tranquilidade". 

"Este é um ano de eleições, é um ano de escolhas, e elas deverão transcorrer na maior tranquilidade. E é isso que quero garantir-lhes a partir das minhas competências como Presidente da República Federativa do Brasil", afirmou. Ainda em sua defesa, o presidente elencou o que avalia serem conquistas de seus quase dois anos de governo, como a queda nos juros e na inflação e a retomada do crescimento econômico.

Temer destacou ainda a criação do Ministério da Segurança Pública e a intervenção federal no Rio, decretada em fevereiro. Ação, porém, ainda não trouxe resultados positivos, e as autoridades não concluíram as investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes, em 14 de março.

Em referência ao Dia de Tiradentes, comemorado no sábado (21) e o motivo oficial para seu pronunciamento em rádio e TV, Temer citou uma passagem -com o livro em mãos- do "Romanceiro da Inconfidência", de Cecília Meireles, sobre liberdade. Ele termina lembrando que Tiradentes foi "acusado e condenado por lutar e defender um Brasil livre, forte e independente". "Ao final, a história lhe deu a vitória maior", diz o presidente. O pronunciamento custou R$ 70 mil. 

Confira a seguir a íntegra do discurso:

"Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda'. Amanhã comemoramos o Dia de Tiradentes e no dia seguinte, o descobrimento do Brasil. Dirijo-me a você, cidadã e cidadão brasileiros, com os versos do 'Romanceiro da Inconfidência', de Cecília Meireles, para falar sobre essa palavra tão importante: liberdade. 

Muito mais do que a independência sonhada pelos inconfidentes, hoje celebramos a liberdade da democracia, do direito de ir e vir, de pensar e expressar-se. Celebramos a liberdade da imprensa brasileira. A liberdade de agir segundo a própria vontade desde que isso não prejudique o outro.

Somos livres e vivemos em um Estado democrático de direito, onde deve haver o respeito mútuo, o respeito às leis e, principalmente, o respeito à Constituição Federal. Desrespeitá-la é criar insegurança e instabilidade entre pessoas e instituições. 

Nas viagens internacionais, tenho verificado que o Brasil é sempre muito prestigiado e muito bem visto pelas nações estrangeiras. Essa visão externa positiva e otimista não coincide com o Brasil que alguns propagam internamente. É fácil bater no Michel Temer, é fácil bater no governo, é fácil só criticar. Quero ver fazer, quero ver conquistar. Quero ver construir e realizar o que nós conseguimos, avançar em tão pouco tempo.

A torcida organizada pelo fracasso tenta bater bumbo, tenta perder o jogo todos os dias. A verdade é que o Brasil virou esse jogo. Alcançamos, nesses dois anos, vitórias expressivas, recordes após recordes, mas muitos teimam em não perceber a mudança, em não admitir o nosso sucesso: o sucesso do Brasil. 

Falo da menor inflação e dos menores juros de todos os tempos que protegem o dinheiro do trabalhador, seu poder de compra, com mais crédito e mais tranquilidade. Falo da volta do crescimento econômico e do projeto do maior salário mínimo da história. Falo do alimento mais barato na sua mesa, não só porque colhemos as duas maiores safras do Brasil, mas porque soubemos criar políticas de valorização do homem do campo. 

Falo do que foi feito na saúde, na educação, com as 500 mil vagas em tempo integral e a reforma do ensino médio. Falo do meio ambiente com a criação de unidades de conservação do tamanho de um estado como o Mato Grosso. Isso ninguém divulga. 

Falo da criação do Ministério da Segurança Pública com a intervenção federal no Estado do Rio de Janeiro. Iniciativas inéditas que governo algum teve a coragem de tomar no enfrentamento e combate à violência urbana e ao crime organizado.

Falo da retomada das obras nas estradas, da melhoria nos aeroportos e da transposição do rio São Francisco para abastecer de água o Nordeste, onde também iniciamos a revitalização para garantir a vida do rio. Os postos de trabalho estão ressurgindo. São quase 2 milhões nesses últimos tempos. Posso lembrar a devolução do PIS-PASEP ou da liberação do Fundo de Garantia que colocou cerca de 50 bilhões de reais no bolso do trabalhador.Retomamos a confiança e a credibilidade internacional, de que é prova evidente do índice da bolsa de valores que não para de subir. 

Precisamos de uma injeção de otimismo no país. Precisamos, verdadeiramente, de bons sentimentos. O Brasil voltou para ganhar. E precisamos ter orgulho disso. 

Precisamos acabar de vez com uma disputa irracional que busca jogar uns contra outros. Esse é um ano de eleições, é um ano de escolhas, e elas deverão transcorrer na maior tranquilidade e é isso que quero garantir-lhes a partir das minhas competências como Presidente da República Federativa do Brasil.

E pra isso é preciso paz, justiça, segurança, responsabilidade. É preciso coragem, é preciso saber fazer. E estamos na direção certa. Que nesse 21 de abril, lembremos que Tiradentes foi acusado e condenado por lutar e defender um Brasil livre, forte e independente. Ao final, a história lhe deu a vitória maior. Seu exemplo de luta é exemplo para todos nós que trabalhamos para trazer mais conquistas ao Brasil.

É hora de nos unirmos para não perdermos o que foi conquistado.Boa noite, obrigado e um Brasil livre, justo e melhor para todos!"

Fonte: Folha PE

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