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Lula chega à Policia Federal em Curitiba para cumprir pena

Ele ficará detido provisoriamente em uma cela especial na Superintendência da PF, que terá banheiro privativo, televisão e direito a duas horas diárias de banho de sol

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou de avião em Curitiba, por volta das 22h deste sábado (07), e logo seguiu de helicóptero para a Superintendência da Polícia Federal, onde chegou vinte minutos depois, aproximadamente. No local, manifestantes favoráveis ao petista chegaram a ser alvo de bombas de efeito moral do policiamento e responderam arremessando pedras. Eles teriam tentado forçar um portão e invadir uma área restrita da PF.

Condenado a 12 anos de prisão na segunda instância da Justiça Federal, ele ficará detido provisoriamente em uma cela especial, que terá banheiro privativo, televisão e direito a duas horas diárias de banho de sol. "É uma sala simples, é vazia, só tem uma cama, uma mesa com cadeira e o acesso a um banheiro, mais nada. É o mais simples possível, mas em separado dos demais" presos, explicou o delegado Igor Romário. O espaço era usado para alojar policiais de outros estados, ou advogados que precisassem pernoitar, mas ao longo das últimas duas semanas foi adaptado para eventualmente acolher aquele que seria o preso mais famoso da Operação 'Lava Jato'.

Em comparação com as condições degradantes dos presídios do país, a cela pode ser considerada um luxo. A sala é "bastante humanizada, bastante tranquila, um ambiente agradável para ficar, mas nada especial", acrescentou Jorge Chastalo, chefe da equipe de custódia da Superintendência da PF.

Lula terá direito a uma visita semanal de parentes próximos e durante duas horas por dia poderá tomar "banho de sol". A cela tem cerca de 15 m2 e ducha de água quente. Os policiais não souberam confirmar essa informação imediatamente.

Um dia histórico
O ex-presidente foi preso neste sábado (7) por volta de 18h40, em São Bernardo do Campo (SP), na grande São Paulo. Ele entregou-se à Polícia Federal após a segunda tentativa de saída do sindicato. Na primeira vez, foi impedido pela militância que chegou a quebrar o portão.

Durante o ato ecumênico realizado pela manhã no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em homenagem à ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta em 2017, Lula anunciou que se entregaria. No evento, que se tornou um ato político, o ex-presidente disse que iria se entregar para "enfrentar" a Lava Jato.

O juiz federal Spergio Moro determinou que Lula deveria ter se apresentado à Polícia Federal em Curitiba até as 17h da última sexta (6), mas o prazo foi ignorado pelo petista. Desde quinta (5), quando Moro decretou sua prisão, o ex-presidente ficou alojado no sindicato, em São Bernardo, cercado por militantes e políticos de esquerda. A defesa do petista negociava na sexta as condições para que ele se entregasse. A PF descartou enviar agentes ao sindicado para evitar conflitos.

Lula foi condenado por Moro, em julho de 2017, a 9 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá (SP). Em janeiro deste ano, o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) aumentou a pena para 12 anos e um mês de detenção. Na ação apresentada pelo Ministério Público Federal, Lula é acusado de receber R$ 3,7 milhões de propina da empreiteira OAS em decorrência de contratos da empresa com a Petrobras.

Pedidos de habeas corpus para sustar a prisão foram negados no STJ e no STF.
Lula é o primeiro presidente da história do Brasil a ser preso após condenação penal. Em 1980, então líder sindical, ele foi preso por motivos políticos, sob acusação de "incitação à desordem", no período final da ditadura militar.

Biografia
Lula nasceu em Garanhuns, agreste pernambucano, em 1945. Migrou para São Paulo aos 7 anos, liderou o movimento sindical contra a ditadura no ABC paulista no final dos anos 1970 e fundou o Partido dos Trabalhadores em 1980, galvanizando a esquerda brasileira nas quatro décadas seguintes.

Elegeu-se presidente em 2002, na sua quarta candidatura, e reelegeu-se em 2006. Sob seu governo, o país acelerou o crescimento da renda e reduziu a pobreza e a desigualdade, acompanhando o que ocorria em outras nações emergentes. Recordista de popularidade, ao deixar o cargo elegeu uma novata, Dilma Rousseff, como sucessora. Reeleita em 2014, ela sofreu impeachment em 2016.

Dois dos maiores escândalos de corrupção já registrados, o mensalão e o petrolão - este último revelado pela Operação Lava Jato -, arrebataram o governo durante o ciclo petista, bem como a mais profunda e extensa recessão em 34 anos.

Fonte: Folha PE

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