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Padrasto é condenado a 35 anos de prisão pela morte de Maria Alice

Sentença de 35 anos do padrasto Gildo Xavier foi proferida no início da noite desta terça pela morte da enteada Alice Seabra

O mestre de obras Gildo da Silva Xavier, de 36 anos, foi condenado a 35 anos de prisão. A sentença foi proferida no início da noite desta terça-feira (22) pela juíza Fernanda Vieira Medeiros, após quase 12 horas de julgamento na Câmara Municipal de Itapissuma, na Região Metropolitana do Recife. Gildo foi acusado de matar a enteada Maria Alice Seabra, na época com 19 anos. O crime aconteceu em junho de 2015.

A juíza Fernanda Medeiros detalhou a sentença de Gildo Xavier. "Por crime de homicídio qualificado, 17 anos e seis meses; por sequestro com fins libidinosos, três anos e seis meses; por estupro, 12 anos; e por ocultação de cadáver, dois anos", pontuou. Gildo foi encaminhado ao Presídio de Igarassu sob gritos de "assassino".

Após a decisão, mãe de Maria Alice, Maria José de Arruda, disse não ter concordado com a pena e que está considerando recorrer. "35 anos foi muito pouco. De 35 anos, ele vai passar 15 anos. Não foi justo isso, esperava, pelo menos, 45 anos. Acho que vou recorrer e não vou aceitar isso, porque ele fez muitos crimes bárbaros com minha filha. A Justiça hoje foi uma vergonha", disse.

"Pela atrocidade do crime, teria que ser pena máxima. Quem acompanhou o caso, tanto aqui no Estado como fora, esperava uma pena máxima. Fui aconselhada a procurar o Ministério Público e recorrer", afirmou a irmã da vítima, Maria Angélica Seabra. Ela ficou revoltada com o fato de ele cumprir pena no Presídio de Igarassu. "Lá, para ele, é um hotel, ele conseguiu reconstruir a vida dele. Tem outra mulher, recebe visitas íntimas e teve até outra filha, enquanto a nossa vida ele destruiu", acrescentou.

Julgamento
O júri foi formado por sete mulheres após sorteio. Pela manhã, a primeira testemunha a depor foi a delegada Gleide Ângelo, responsável pelas investigações. Durante seu relato, a delegada chorou e e se revoltou ao relembrar a cena do crime e a forma como o corpo da jovem foi encontrado.

Também pela manhã, a irmã de Maria Alice, Maria Angélica Seabra, prestou depoimento e comentou sobre a relação conflituosa entre Maria Alice e Gildo. A mãe da vítima, Maria José de Arruda, última testemunha a ser ouvida, contou que nunca teve desconfiança do ex-marido durante os 15 anos de casamento.

No final da manhã, o acusado foi interrogado pela juíza Fernanda Vieira Medeiros. Em seu depoimento, ele negou ter estuprado a enteada e classificou o crime como uma fatalidade. O depoimento durou cerca de 30 minutos e foi marcado pela revolta dos populares. Alguns chegaram a gritar “assassino” após ele deixar o tribunal do júri.

À tarde, o promotor de acusação Alexandre Saraiva e o defensor público Jânio Piancó realizaram um debate na Câmara de Vereadores de Itapissuma. O promotor foi incisivo ao dizer que o crime foi premeditado. "A tese do réu não se sustenta. Ele enganou toda a família. O grito de socorro de Maria Alice para sua mãe no telefone ecoa até hoje. A promessa de emprego nunca existiu. As provas estão cristalinas. Esse crime foi premeditado, empregou meio cruel e sua reação é de um animal", afirmou o promotor.

O defensor público Jânio Piancó afirmou que o réu confessou ter matado a enteada, mas ressaltou que não houve sequestro, já que ele a convidou para ir a uma entrevista e ela aceitou. Ele também ressaltou que a perícia não constatou vestígios que comprovassem a violência carnal. Outro ponto abordado pelo defensor foi o depoimento da delegada Gleyde Ângelo. "O testemunho dela não pode ser considerado honesto. Ela não iria desqualificar sua investigação", disse Piancó.

Relembre o caso
O MPPE ofereceu denúncia contra Gildo da Silva Xavier por sequestro, com finalidade libidinosa; estupro, com o agravante de ser padrasto; homicídio quadruplamente qualificado por motivo torpe, emprego de asfixia, tortura ou outro meio cruel, emboscada que impossibilitou defesa da vítima, e para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime; e ocultação de cadáver da vítima Maria Alice de Arruda Seabra.

O crime ocorreu no dia 19 de junho de 2015, no Engenho Burro Velho, na zona rural de Itapissuma. No dia 24 de junho, Gildo Xavier se entregou, no município de Goiana, e indicou aos policiais civis lotados no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) o local onde deixou o corpo da vítima.

Fonte: Folha PE

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