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Mbappé, o fã de Zidane, iguala o ídolo e conquista a Copa

Mbappé cresceu em Bondy, no subúrbio norte de Paris, ouvindo sobre as cabeçadas heróicas de Zinedine Zidane na final de 1998, contra o Brasil

Aos 19 minutos do segundo tempo. Kylian Mbappé recebeu a bola na intermediária do ataque, levantou a cabeça e olhou para o goleiro Subosic. Por que não tentar? 

Foi o chute que o colocou em patamar próximo ao do jogador que cresceu idolatrando: Zinedine Zidane. O quarto gol contra a Croácia neste domingo (15), em Moscou, colocou uma pá de cal na decisão da Copa do Mundo e provou que a França seria campeã pela segunda vez na história.

Mbappé cresceu em Bondy, no subúrbio norte de Paris, ouvindo sobre as cabeçadas heróicas de Zinedine Zidane na final de 1998, contra o Brasil. Zizou foi seu primeiro ídolo. Pouco importa que ele sequer tivesse nascido quando a França ganhou o inédito Mundial. Mbappé veio ao mundo cinco meses após a partida.

Vinte anos depois, os dois estão empatados na quantidade de títulos do torneio. 

Com a mesma camisa 10 que seu herói usou, o garoto de 19 anos se tornou o quarto jogador mais jovem a disputar e ganhar uma decisão de Copa. Está atrás de Pelé (17 anos em 1958), o italiano Giuseppe Bergomi (18 em 1982) e o uruguaio Ruben Morán (19 anos em 1950).

"As coisas para mim aconteceram muito rápido. Às vezes não há tempo para pensar", define o atacante, peça-chave no esquema do técnico Didier Deschamps que ganhou o torneio com a vitória por 4x2 no estádio Lujniki.

O Mundial fez o patamar de Mbappé crescer. Porque ele já havia chegado ao torneio na condição de um dos atacantes mais cobiçados do mundo. Como aconteceu após o torneio de 1998 com o seu segundo maior ídolo no futebol: Thierry Henry. Bastou apenas uma partida para Kylian explodir. Com uma atuação individual impecável, ele foi o responsável por mandar Lionel Messi para casa. Fez dois gols e sofreu um pênalti quando a Argentina perdeu por 4x3 para os franceses.

As coisas acontecem tão rápido, como ele diz, mas sem esquecer que há dois anos era sua mãe Fayza, ex-jogadora de handebol, que tinha de levá-lo para o treino e depois buscá-lo todos os dias. Mbappé até podeira ter tirado a carteira de motorista na época, mas alegou não ter tido tempo.

Foi ascensão tão meteórica que há dois anos apenas os especialistas em categorias de base na Europa sabiam quem ele era. Os torcedores, não. Ele já havia estreado na equipe profissional do Monaco, mas pouco havia chamado atenção. Fez o primeiro jogo no time aos 16 anos e 347 dias. Com 17 anos e 43 dias se tornou o artilheiro mais jovem da história do clube. Superou Henry.

O público poderia não saber quem ele era, mas os grandes do continente, sim. 

Mesmo antes de passar meses na academia de Clairefontaine, mantida pela Federação Francesa, ele já era cobiçado. Recebeu convite do Barcelona. Teve proposta do Manchester City. Foi chamado a conhecer o técnico francês Arséne Wenger e jogar pelo Arsenal. Esteve tão perto de assinar pelo Chelsea que fez uma partida pelas categorias de base da equipe.

Mas ele sempre quis jogar pelo time que era torcedor na infância: o Paris Saint-Germain. Da mesma forma que sonhou igualar o que seu ídolo Zidane havia feito
"Ele é um garoto que escuta o que a gente diz. Com os mais jovens, a gente é mais tolerante com algumas coisas. Ele tem um potencial gigantesco e encara o torneio com a maturidade que os outros jogadores. O céu é o limite para ele", afirmou o técnico da seleção, Didier Deschamps.

Pelo ideal de ser campeão mundial, Mbappé aceitou jogar em uma função em que não é a ideal para o seu futebol: aberto pela direita, como um ponta. Ele mesmo sabe que como atacante centralizado renderia muito mais. Mas com as vitórias no Mundial e o título ficando cada vez mais próximo, quem seria ele a reclamar de algo?

O torneio lhe foi tão bom que fez até as pazes com a imprensa. Até as quartas de final, ignorou todos os pedidos de entrevista e ao passar pelos repórteres ao final das partidas, fazia de conta não ouvir os chamados. Estava irritado com as críticas que a equipe recebeu antes do torneio. A partir da vitória sobre o Uruguai, aceitou falar com todos.

É algo mais condizente com quem afirma ser o mesmo garoto de sempre e que a fama não vai fazê-lo mudar. Após uma temporada 2016-2017 pelo Monaco, quando chegou às semifinais da Liga dos Campeões da Europa, o PSG realizou seu sonho e o levou para o Parque dos Príncipes, mesmos que tenha sido necessária uma operação financeira complicada, envolvendo um empréstimo com obrigação de compra posterior. No final, ele custou ao clube 180 milhões de euros (R$ 810 milhões em valores atuais). Por causa disso, o seu time pode ser punido pela Uefa por ter quebrado as regras do fair play financeiro.

O valor pode ficar ainda maior quando um clube como o Real Madrid ou o Barcelona bater à porta. O Real, onde seu ídolo foi um dos maiores da história, deve ser enorme tentação.

"Foi Zidane quem me fez amar o futebol", disse Mbappé.

Quando isso aconteceu, o meia usava a camisa 10 azul. A mesma com a qual Kylian Mbappé foi campeão do mundo neste domingo em Moscou.

Fonte: Folha PE

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