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Indústria pernambucana usa óleo de fritura para produzir sabão

Apesar da sustentabilidade ser um tema cada vez mais sensível à sociedade, o número de empresas que absorveram essa demanda e aplicaram esse conceito em suas políticas produtivas ainda é bastante acanhado. Quem apostou, porém, no passado nessa tendência constata que ela está ainda mais em evidência. A indústria pernambucana ASA, por exemplo, completa em 2018 dez anos do projeto Mundo Limpo Vida Melhor com um elevado grau de interação com a sociedade e projetando um objetivo ousado para coroar a data: zerar 100% dos resíduos gerados na coleta e tratamento de óleo de fritura. Atualmente, nesta década, a empresa contabiliza que ajudou a preservar cerca de 140 bilhões de litros de água devido a essa política de sustentabilidade.

O projeto visa reduzir o impacto ambiental provocado pelo descarte inadequado do óleo de fritura através de ações de coletas seletivas, em parcerias com comunidades, municípios, instituições educacionais e, até mesmo, condomínios habitacionais. O material é reciclado e reutilizado no processo de produção do sabão em barra Bem-Te-Vi. "Hoje, estamos com 75% de economia circular, que significa a transformação de todos os resíduos em uma nova matéria-prima. Mas vamos zerar os impactos que ficam na ASA. A meta é até dezembro e estamos negociando a colaboração de cinco empresas para esse processo", afirma Flávia Moura, química que atua como gerente de Qualidade, Desenvolvimento e Responsabilidade Socioambiental.

Nesse período, a ASA aperfeiçoou os procedimentos e fechou parcerias que ajudassem a empresa a se inserir nessa economia de círculo. O pó de serra melado de óleo está virando combustível na indústria do cimento; As garrafas pet, que geralmente servem de depósito de óleo utilizado e são devolvidas pela população nos postos de entrega, vão para cooperativas de catadores e para a Frompet, moderna empresa brasileira de reciclagem, instalada em Suape, que aproveita a resina final do material para a produção de novas embalagens; A argila vira tijolo em uma indústria de cerâmica em Paudalho; e óleo e a água passam por um processo de filtragem em uma estação de tratamento. Nesse processo a indústria tem a parceria do Instituto de Tecnologia e Informação (IATI) para separar os líquidos.

Flávia explica que os 25% que restam para garantir esse selo à ASA são os resíduos orgânicos que voltam à fábrica após o descarte misturados ao óleo, como por exemplo, farinha, restos de massa de coxinha e frango, quando são preparados fritos. 

Até a emissão de gás carbônico, liberado pelos caminhões de coleta, entra na conta da ASA. Para compensar a poluição atmosférica produzida pelos veículos, o projeto abriu mais um braço no qual são plantadas mudas em um minibosque localizado no Shopping RioMar. Até o momento, já foram 70 árvores de Pau Brasil. A meta é chegar a 210 por ano e adicionar o Ipê entre as variedades de plantas. E como um objetivo puxa outro, segundo Flávia, a ideia é também, em breve, produzir suas próprias mudas. 

Fonte: Blog de Xucuru

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