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Agressor de Bolsonaro agiu sozinho e por razões política, religiosa e racial, diz defesa

Segundo o advogado Zanone Manoel de Oliveira Júnior, que representa Bispo, seu cliente cometeu o crime sem ajuda de ninguém

A defesa de Adelio Bispo de Oliveira, 40, que confessou ter esfaqueado o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) na última quinta-feira (6) durante evento de campanha em Juiz de Fora (MG), afirmou que o agressor agiu sozinho e por motivação política, religiosa e racial.

Segundo o advogado Zanone Manoel de Oliveira Júnior, que representa Bispo, seu cliente cometeu o crime sem ajuda de ninguém. Circula na cidade a suspeita de que Bispo estaria em companhia de pelo menos mais uma pessoa no momento em que deu uma facada em Bolsonaro. 

"Desconhecemos qualquer intenção dolosa de grupo ou de outras pessoas. O Adelio salienta que agiu de forma solitária o tempo todo", afirmou o advogado, na tarde desta sexta-feira (7), em Juiz de Fora. 

O advogado não deu detalhes do motivo de o agressor ter passado cerca de duas semanas na cidade antes do crime. Ele afirmou apenas que as motivações de Bispo foram políticas, por divergências na forma de pensar do candidato, religiosa -ele seria, segundo o advogado, testemunha de Jeová-, e raciais. 

Segundo o defensor, Bispo teria se sentido ofendido com a fala de Bolsonaro sobre quilombolas no início do ano. Na ocasião de uma palestra no clube Hebraica, no Rio, o então pré-candidato havia dito que quilombolas "nem para procriar servem". 

Bispo se consideraria como negro, segundo o advogado, e a fala do candidato teria abalado "de forma avassaladora a psiquê" do agressor. 

O defensor diz ainda que Bispo já fez uso de remédios controlados para problemas psicológicos no passado. A defesa pedirá uma perícia sobre a saúde mental do agressor. 

A confissão do crime à Polícia Federal, a motivação política do ato, o discurso ofensivo de Bolsonaro contra quilombolas e possíveis problemas psicológicos do autor serão utilizados pela defesa como base para pedido de atenuante à pena agressor. Ele foi enquadrado no artigo 20 da Lei de Segurança Nacional, algo que a defesa não contesta. 

"Há circunstâncias atenuantes [no processo]. A própria confissão, a motivação política. O próprio discurso de ódio que a vítima trazia como meta de campanha. O nosso constituinte se considera negro. Aquela afirmação que diz que o negro não serviria sequer para procriar atingiu de forma avassaladora a psiquê do constituinte", disse Zanone, que estava acompanhado de mais dois advogados, vindos de Belo Horizonte e Barbacena.

Mais cedo, o deputado federal Fernando Fancischini (PSL-PR) havia levantado a dúvida sobre como um homem aparentemente pobre teria dinheiro para contratar quatro advogados para sua defesa. Esse seria, segundo o parlamentar, indício de que ele não teria agido sozinho. 

O advogado Zanone Júnior, que atuou, por exemplo, no caso do goleiro Bruno, como defensor do ex-PM Bola, não deu detalhes da sua relação com o cliente. Disse apenas que os advogados estavam ali por relações familiares e religiosas com o acusado. 

Bispo será transferido para um presídio federal, algo que a defesa considera adequado para a própria segurança do cliente.

Fonte: Folha PE

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