Fique atualizado com o

Motiva Gente News
recent

Instagram é a rede social que mais afeta a saúde mental, diz pesquisa

“A gente seleciona as melhores fotos, os melhores momentos, os melhores sorrisos, as melhores roupas. Mas o que está ali não representa necessariamente o que acontece no todo da vida”, observa o psiquiatra Amaury Cantilino

As redes sociais, de fato, revolucionaram as relações interpessoais. Agora até que ponto elas podem prejudicar ou ajudar uma pessoa em depressão? Uma pesquisa da entidade inglesa Sociedade Real para Saúde Pública (RSPH) pôs em xeque a questão. No levantamento, a instituição mostra o Instagram como a rede mais nociva à saúde mental.

A pesquisa é recente, de 2017. Foi feita com a participação de jovens entre 14 e 24 anos, avaliando as sensações que cinco redes sociais causavam. No caso, Facebook, Instagram, Snapchat, Twitter e Youtube. Disparadamente, o Instagram foi o que mais trouxe sentimentos negativos, tais como solidão, ansiedade e distorção/inconformismo com a própria imagem. O Snapchat aparece em segundo lugar, com os mesmos pontos.

O psiquiatra Amaury Cantilino conta que muitas vezes o conteúdo presente nos perfis virtuais são fruto de insatisfações na vida real. “A gente seleciona as melhores fotos, os melhores momentos, os melhores sorrisos, as melhores roupas. Mas o que está ali não representa necessariamente o que acontece no todo da vida”, atenta.

“É curioso como as pessoas se comparam na hora que vão avaliar o seu bem-estar pessoal. É da natureza humana. Mas quando um sujeito tem uma autoestima mais baixa e usa a comparação como único medidor da satisfação com a vida, pode ser danoso”, acrescenta.

Agora, de fato e de direito, não seria prudente dar um caráter totalmente negativo para a internet. Tudo é questão do uso que é dado. “Embora, eventualmente sejam usadas como praça de guerra, as redes têm um potencial de agregar a sociedade. Ali eu também posso encontrar pessoas semelhantes. Perceber que não estou sozinho no mundo”, pondera.

Para o psicólogo Igor Lins Lemos, a tecnologia é neutra. "O bom ou mau uso, quem faz é o sujeito”, aponta o também especialista em tecnologias. Ele explica que, na verdade, o que houve foi uma “mudança” de local problemático - o que se tinha no famoso ‘cara a cara’ está transplantado nas redes. “Não seria sensato generalizar que o Instagram vai adoecer ou piorar os sintomas depressivos de alguém”.

“É uma via de mão dupla. Sujeitos vulneráveis, que possam ter algum tipo de adoecimento mental, podem se prejudicar com o uso de tecnologia? Podem. Assim como outras pessoas podem utilizar para ser algo benéfico em sua vida. É distinto o comportamento de cada grupo”, complementa.

Como exemplo prático dessa dualidade, Igor rememora o fenômeno do Pokémon Go. “Na época, a pergunta era: o jogo é útil ou não ao usuário? Ele é interessante ou não para quem tem uma timidez ou uma fobia social, uma dificuldade de relacionamento? Um grupo se beneficiou e começou a sair mais de casa, explorar territórios, devido ao lançamento; e outros ficaram ainda mais dependentes do uso da tecnologia”, conclui.

Enquanto se debate o papel das redes, vão surgindo perfis e aplicativos de amparo emocional. Um deles - ironicamente no Instagram - é o ‘Doe Afeto’. Criado por Lu (nome fictício a pedido da entrevistada), o perfil conta com mensagens de autoajuda e apoio, para fortalecer a autoestima.

“Quando você posta alguma coisa, espera que alguém chegue lá e curta, não é? Acho que quem diz que não sente é hipócrita. E isso faz mal. Eu via as pessoas sofrendo e fingindo uma vida perfeita na internet, forçando sorriso, acordando sem maquiagem e sentindo a obrigação de dizer ‘olha, estou sem maquiagem’ como se fosse algo anormal”, explica.

Foi dessa inquietação nasceu a página. “Dia desses eu estava escrevendo algo sobre pânico. Teve uma menina que estava tendo uma crise porque teve um problema num restaurante e falou no inbox o quanto que tinha sido importante ler aquela mensagem que eu tinha escrito, que estava diminuindo a crise dela”, afirma.

Há ainda aplicativos, como o Cingulo. Criado por especialistas em neurociências, o app leva o usuário a se autoavaliar, com o auxílio de textos e técnicas que ajudam a controlar ansiedade, estresse e insegurança, por exemplo.

Folha PE

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.