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Comunidades viram destino turístico no Recife

Ilha de Deus e Bomba do Hemetério, bairros localizados nas Zonas Sul e Norte, respectivamente, se tornaram rota do turismo de base comunitária na capital pernambucana

Trabalho com impacto social que gera retorno financeiro para a comunidade, o turismo de base comunitária muda o cenário econômico nos lugares onde é realizado. As atividades e produtos fabricados são feitos por pessoas que moram nas comunidades, que, por sua vez, comercializam para os turistas que visitam os locais. 

No período atual, de verão, essa ação movimenta a cadeia produtiva com mais força. Segundo a secretaria estadual de Turismo, de dezembro até fevereiro, Pernambuco deve receber 1,8 milhão de turistas, o que deve injetar R$ 2,6 bilhões na economia local. No Recife, dois trabalhos de turismo de base comunitária são desenvolvidos de forma importante a gerar renda para os moradores: o da Ilha de Deus, localizado na Imbiribeira, Zona Sul, e o da Bomba do Hemetério, localizado na Zona Norte. E um novo está sendo concebido, dessa vez em Brasília Teimosa, também na Zona Sul.

Através da Rede Nacional de Turismo Criativo (Recria), organização que contempla os projetos da Ilha de Deus e da Bomba do Hemetério, os gestores fortalecem as atividades. “A Ilha e a Bomba são um turismo criativo de base social, ou seja, de base comunitária. É uma operação local, em que a venda é local. Toda a riqueza gerada circula de forma justa na sociedade”, explicou o conceito a gerente geral de produtos turísticos da Prefeitura do Recife, Karina Zapata.

Ao oferecer serviços e produtos ligados à pesca, gastronomia e artesanato, os moradores da Ilha de Deus ganham sua renda a partir da comercialização dessas atividades. “De outubro a fevereiro, temos um maior movimento aqui na Ilha, com aumento de 40% no número de turistas e também no faturamento. Mas o que diferencia é que os meses de janeiro e fevereiro são os que mais recebemos turistas de fora do Recife”, comentou o organizador do projeto, Edy Rocha, ao complementar que no ano passado, a Ilha recepcionou cerca de oito mil turistas. “Apenas nos quatro meses de maior movimento, recebemos aproximadamente quatro mil pessoas”, informou Rocha.

O projeto da Ilha de Deus recebe regularmente pessoas aos sábados através do passeio de catamaran pelo Catamaran Tours, além de turistas que agendam visitas e hospedagens. “Pelo passeio de Catamaran, a pessoa paga R$ 58 e passeia durante duas horas, conhecendo a Ilha, assistindo a apresentações culturais e desfrutando da nossa mariscada. Mas o visitante pode agendar passeios diretamente conosco, que pode incluir almoço, atividades no rio para conhecer a pesca e andar de caiaque, além de também poder contratar hospedagem no hostel que construímos”, apresentou Rocha, ao acrescentar que no verão o hostel tem 60% a mais de ocupação.

Antes, Geisiane de Ataíde, conhecida como Negra Linda, catava marisco no rio da Ilha de Deus. Hoje, ela virou a cozinheira do projeto e consegue uma renda maior. “Não tenho noção da quantidade de gente para quem eu já cozinhei, tanto grupos nacionais, como estrangeiros. Toda semana atendo de um a dois grupos que vêm para Ilha. E o mais importante é que eu cozinho com os produtos pescados pelos próprios moradores da comunidade, então também ajudo eles”, comentou Negra Linda, informando que atualmente recebe em média R$ 2 mil por mês.

Com a programação de passar uma semana hospedada na Ilha, a professora Gizele Gasparri, turista de São Paulo que veio acompanhada de um grupo de alunos e outros professores, se sentiu parte contribuinte do local. “É uma Ilha autossustentável: eles produzem, se alimentam e vendem. Então quanto mais pessoas vierem vai movimentar a produção e o comércio do local. É um impacto social com retorno financeiro”, defendeu a professora. 

Pelo projeto da Bomba do Hemetério, o Recife oferece um turismo de base comunitária com foco em artesanato, cultura e gastronomia. A comunidade apresenta o pacote ‘Bomba África’, de R$ 65 por pessoa, com visitações a terreiros, apresentações de maracatu e gastronomia, e o pacote ‘Brincantes da Alegria’, também R$ 65 por pessoa, com apresentações culturais, oficina de camisas com a marca da Bomba e artesanato. “É um turismo que gera renda para as pessoas. Faço o receptivo dos turistas que querem conhecer”, disse o organizador do projeto da Bomba do Hemetério, Elisandro Damasceno.

Maria da Conceição Carneiro é uma das beneficiadas com o projeto. Hoje, ela tem um estabelecimento, o Espetinho da Ceça, que faz parte do roteiro de gastronomia da Bomba. “Eu tinha um carrinho de espetinho que ficava na calçada e agora tenho uma estrutura para receber os turistas, que gera renda para mim”, contou Ceça, que também vende no seu estabelecimento as camisas confeccionadas por moradores da Bomba. “Um percentual da venda fica comigo e outro vai para quem produz”, contou.

Para fortificar esse grupo de turismo de base comunitária, o Recria está planejando um novo trabalho em Brasília Teimosa. “A Recria quer formatar produtos em Brasília Teimosa voltados à gastronomia. Lá tem bares com arroz de polvo e camarão na cerveja que são um sucesso e os turistas precisam conhecer”, adiantou Damasceno.

Ampliação
Fortalecer o turismo de base comunitária no Recife é o desejo dos idealizadores. Apesar de apresentar estruturas para receber os visitantes, o Recria busca mais parceiros para apoio e convênios. A necessidade de ter um destaque na capital pernambucana é importante para gerar mais renda à comunidade. 

Os recursos do projeto da Ilha de Deus são próprios, conquistados através dos eventos de gastronomia que são promovidos, da comercialização dos produtos de pescados e da parceria com o Catamaran Tours, que realiza os passeios para a comunidade. “Temos parceiros sociais, mas não temos convênios. A Prefeitura do Recife nos ajuda divulgando o projeto. Mas poderíamos ampliar e melhorar a infraestrutura se tivéssemos mais recursos”, justificou o organizador do projeto, Edy Rocha. 

Ainda segundo Rocha, qualificar as pessoas da comunidade em todos os setores, seja cultura, gastronomia, hotelaria e receptivo, é fundamental para atender mais visitantes. “Temos 40% de infraestrutura para o turismo de base comunitária na Ilha de Deus. Se tivermos apoio, temos como chegar a 100%”, defendeu o organizador.

Infraestrutura também é o que o projeto da Bomba do Hemetério necessita neste momento. 

“Estamos precisando de um espaço para uma sede. Nossa maior necessidade é de espaço físico para reunir atividades, como gastronomia, dança e artesanato no mesmo local, além de se tornar um ponto de referência. Assim a gente consegue receber o turista com mais qualidade”, argumentou o organizador do projeto da Bomba do Hemetério, Elisando Damasceno.

De acordo com a Prefeitura do Recife, através da secretaria de Turismo, Esportes e Lazer, no fim do ano passado, o órgão criou, junto à sociedade, um Plano de Turismo Criativo, que engloba os projetos de base comunitária da Ilha de Deus e Bomba do Hemetério. Através desse planejamento, esses trabalhos vão ganhar mais força. “O Recife vem abraçando o segmento do turismo criativo. O objetivo do plano é colocar dinheiro onde a sociedade achar importante”, explicou a gerente geral de produtos turísticos da Prefeitura do Recife, Karina Zapata.

O Plano considera 52 ações a serem executadas de 2019 a 2021. A previsão é de um investimento, pela secretaria, de R$ 220 mil para o setor, além de investimentos por meio do Sebrae. Esse orçamento ainda será aprovado. “Este ano, está sendo prevista para a Bomba do Hemetério e a Ilha de Deus a colocação de sinalização turística, por exemplo, para indicar onde ficam os projetos”, adiantou Zapata, ao acrescentar que essa é uma pauta nova, que está sendo abraçada de forma pioneira no Norte e Nordeste.

Fonte: Folha PE

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