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Série espanhola ‘Vis a Vis’ garante história instigante digna de maratona

Produção conta com a atriz Alba Flores no elenco, a Nairóbi de “La Casa de Papel”

Algumas séries de TV, mesmo lançadas há alguns anos atrás, acabam não se popularizando com tanta rapidez por serem transmitidas apenas em canais pagos. Com a chegada do streaming isso tem mudado. Empresas que disponibilizam conteúdo sob demanda, como a Netflix, Amazon Prime Video e Globo Play, possibilitaram que as tramas ficassem conhecidas ao redor do mundo, como é o caso de “Vis a Vis”, série espanhola que, lançada em 2015, começou a ganhar mais atenção do público agora. 

A série está finalizada em quatro temporadas, as duas primeiras disponíveis no catálogo da Netflix. Quem assistir ao trailer pode identificar alguns rostos conhecidos. A atriz Alba Flores, conhecida por interpretar a Nairóbi em “La Casa de Papel”, desta vez vive uma presidiária apelidada de Cigana. A principal vilã, Zulema Zahir, é interpretada por Najwa Nimri, que também participa da terceira parte de “La Casa de Papel” como a inspetora Sierra (aquela que está sempre comendo doces). 

Mas se as duas atrizes estão em lados opostos em “La Casa de Papel”, em “Vis a Vis” elas são aliadas e dividem a mesma cela. Ambas são ameaçadoras e torna a vida da protagonista em um inferno dentro do presídio. A história, aliás, gira em torno de Macarena Ferreiro (Maggie Civantos), uma secretária que se apaixona pelo chefe casado, mas que é enganada por ele e acaba envolvida em quatro crimes fiscais. Quando é presa por levar a culpa no lugar do patrão, Macarena precisa lidar com a ameaça de conviver entre condenadas de diversos crimes, enquanto sua família tenta arrumar uma forma de tira-la da prisão.

É muito fácil despertar certa simpatia por algumas personagens da série. Para isso, uma das ferramentas usadas – sem excesso e que funciona bem dentro da narrativa – foi a utilização de cenas em que as detentas expressam seus pensamentos sobre determinado fato ou tema para uma câmera, no estilo documentário. Os cortes servem de respiro entre um momento chave e outro, colocados nos episódios para que o público conheça um pouco mais sobre as criminosas, sem precisar revisitar seu passado, como acontece em “Orange Is The New Black”. Caso queira saber mais sobre as detentas de "Vis a Vis" e seus crimes, o portal Uma Série de Coisas fez fichas técnicas especificando cada caso.

É quase impossível parar de assistir “Vis a Vis” sem maratonar tudo de uma vez. A história é contada de uma forma que lembra o método realizado por “Prison Break”: a utilização de cliffhangers e mcguffins bem desenvolvidos. Para os que não são familiarizados com os termos, o primeiro vem do inglês “se pendurar no penhasco” e faz referência àquele “susto” que temos no final de um episódio ou de uma temporada, quando um segredo é quase revelado ou acontece um fato grave, como a intenção de um assassinato ou a morte eminente de um personagem querido. Geralmente é utilizado em séries que saem um episódio por semana, para obrigar o público a esperar e render o suspense. 

Na maioria dos episódios de “Vis a Vis” existem, no mínimo, dois cliffhangers que não te permitem abandonar a trama. Além desse recurso, o mcguffin – termo popularizado pelo diretor Alfred Hitchcook – é a grande sacada da série. Grande parte das histórias dentro da cultura pop, do cinema e da TV, usam esse método. Ele pode ser qualquer coisa que sirva como um objetivo a ser alcançado pelos outros personagens, a posse de um objeto, encontrar uma pessoa ou conquistar uma posição social. Isso permite que o roteiro avance e a história evolua, focando no crescimento individual e na saga de cada personagem. 

É importante esclarecer que a intenção primordial do mcguffin não é atingir a meta que a história estabelece, mas a caminhada durante o processo. Um exemplo clássico disso ocorre na franquia de Harry Potter, pegando o primeiro filme como exemplo, todos estão em busca da pedra filosofal, mas quase não a vemos durante o longa, porque é mais relevante para a trama que os telespectadores acompanhem a trajetória de Harry e Voldemort.

É quase óbvio que o mcguffin de “Vis a Vis” seja a soltura da protagonista, mas não necessariamente precisa ser apenas isso. Na primeira semana em que fica presa, Macarena descobre que outra detenta (morta no primeiro episódio, então não conta como spoiler) enterrou nove milhões em dinheiro na floresta local. Todas as presidiárias sabem disso e estão em busca de pistas que possam levar ao endereço do esconderijo. A procura pela quantia milionária em paralelo aos momentos de tensão e mistério é o que determina o sucesso da série. Veja o trailer:

A nudez na série não é forçada ou exagerada, está presente para mostrar a realidade de um sistema carcerário opressor. Os temas que a série aborda são universais e também está inserido no dia a dia das presas no mundo inteiro, como os relacionamentos homossexuais dentro do presídio, além dos assédios por parte da equipe de oficiais, abortos, casamento planejado pela família (no caso da Espanha) e a expectativa de vida das mulheres presidiárias. 

“Vis a Vis” é uma série instigante, curta e que te prende desde o primeiro segundo. A terceira temporada está prevista para o dia 30 de agosto. Conselho de amigo: comece a assistir quando tiver tempo de sobra, é quase impossível parar. 

VIS A VIS (2015)
Número de temporadas: 04.
Total de episódios: 38.
Média de duração: 1h10min/ep.
Cotação: 5/5.

*Fernando começou a assistir a séries de TV e streaming em 2009 e nunca mais parou. Atualmente ele acompanha mais de 280 produções e já assistiu mais de 7 mil episódios. A série mais assistida - a favorita - é 'Grey's Anatomy', à qual ele reassiste com qualquer pessoa que esteja disposta a começar uma maratona. Facebook: Uma série de Coisas. Instagram: @umaseriedecoisas. Twitter: @seriedecoisas_ YouTube: Uma Série de Coisas. Podcast: Pocbuster. Portal: umaseriedecoisas.com.br.

Fonte: Folha PE

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