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Doria estende quarentena e permite reabertura restrita de lojas e shoppings na capital paulista

A decisão ocorre após de tensão entre a administração municipal e estadual

O governador João Doria (PSDB) anunciou nesta quarta-feira (27) que prorrogará a quarentena por 15 dias, com flexibilização de acordo com setores do estado. O anúncio foi feito no Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi (zona oeste), durante entrevista coletiva sobre medidas relacionadas ao coronavírus.

A nova fase da quarentena começará a partir do dia 1º de junho, dependendo dos índices. Mas o governo, na entrevista coletiva, ainda não informou se a reabertura já começará neste período.

De acordo com o mapa apresentado pelo governo, a capital paulista entrou na fase laranja, que permite abertura de vários tipos de negócios, inclusive comércios.

A decisão ocorre após de tensão entre a administração municipal e estadual. Enquanto o comitê do governo cogitava colocar a cidade na zona vermelha, a gestão Bruno Covas (PSDB) considera que fez a lição de casa e conseguiu achatar a curva de contágio.

A Grande São Paulo e litoral ficaram na área considerada vermelha, onde não haverá reabertura ainda. As regiões poderão evoluir para uma nova fase ou então regredir a depender de indicadores criados pelo governo, como número de casos e ocupação de leitos nos hositais. Para avançar, a região precisará se manter pelo menos por 14 dias (um período de incubação completa do vírus) com índices estáveis.

Antes, em abril, Doria chegou a anunciar um primeiro plano de afrouxamento da quarentena, mas que não chegou a ser posto em prática uma vez que o estado viu a pandemia avançar e os índices de saúde piorarem.

Segundo o material apresentado pelo governo nesta quarta, a reabertura deverá ser feita por decreto pelos prefeitos das cidades observando também os planos regionais. Os municípios devem aderir aos protocolos de testagem e apresentar fundamentação científica para justificar a decisão.

O prefeito Bruno Covas discursou, mostrando índices que, na avaliação da prefeitura, mostram a estabilização da doença na capital. Covas disse que começará nesta quinta (28) a tratar dos protocolos da retomada.

Questionado se haverá ou não reabertura, ele afirmou que a partir do dia 1º a cidade começará a receber as propostas dos setores. Elas ainda terão que ser assinadas e só então os setores poderão reabrir, o que deve acontecer posteriormente.

De acordo com o secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, haverá o empoderamento dos prefeitos para ter liberdade para implementar as mudanças a partir do dia 1º de junho. "Modelo pressupõe cada vez mais que os gestores municipais sejam responsáveis por esse processo", disse.

Fases
Sem escolas, a nova fase da quarentena em São Paulo prevê cinco categorias graduais de isolamento, do mais ao menos rígido (vermelha, laranja, amarela, verde e azul). Em todo o processo serão adotadas medidas básicas de prevenção e higiene, como o uso de máscara, e cada setor da economia terá protocolos específicos.

Na laranja, a primeira graduação de afrouxamento, concessionárias, atividades imobiliárias, escritórios, o comércio de varejo e shoppings podem retornar, mas com restrições.

Na sequência vem a amarela que autoriza-se bares, restaurantes e salões de beleza a funcionar também com restrições. Concessionárias, imobiliárias e escritórios podem passam a precisar apenas dos protocolos mínimos de higiene e prevenção.A fase quatro, verde, adiciona apenas as academias às atividades que podem funcionar, e com restrições maiores.

Na última, a azul, todos os setores temáticos da economia, inclusive espaços públicos e eventos que permitam aglomeração, podem funcionar respeitando a protocolos mínimos de segurança e higiene.

Vale ressaltar que cinemas e eventos esportivos não possuem uma escala de funcionamento gradativo, ou seja, com maiores restrições, mas voltam direto na categoria azul, a "fase de controle da doença, liberação de todas as atividades com protocolos [mínimos de prevenção]".

O setor educativo foi indicado como de alta vulnerabilidade econômica e, portanto, considerado de prioridade para o retorno, sendo classificado ao lado dos restaurantes, da economia criativa dos serviços de beleza e das academias.

No entanto, as escolas (que atualmente funcionam à distância e enfrentam problemas) não responderão à mesma escala gradual de retorno, mas assim como os transportes, terá um plano específico, "a ser definido" e não especificado na apresentação do governo.

Segundo o plano, cada região do estado será categorizada segundo diretrizes de atenção à capacidade do sistema de saúde e da evolução da epidemia.

Apesar de apresentar os índices que serão observados nessa classificação (por exemplo, ocupação das UTIs e número de casos), o governo não explicitou quais serão os parâmetros de cada indicador para permitir (ou não) o retorno das atividades. Cada setor da economia também terá protocolos próprios, disponíveis em um portal na internet.

Segundo o mapeamento do governo, todas as regiões de São Paulo estão, no momento, entre as bandeiras vermelha e amarela.

Lockdown
Nesta semana, Doria já havia descartado um lockdown no estado neste momento. "Ela vai levar em conta toda a regionalização de São Paulo, no interior, capital, região metropolitana, litoral. A decisão não será homogênea. Até agora foi porque precisava ser. Agora, podemos fazer heterogênea, seguindo orientação do comitê de saúde. Em áreas que definam flexibilização cuidadosa e em etapas, isso será levado em consideração. Onde não puder, não será."

Inicialmente, o posicionamento da gestão Doria é que o lockdown seria usado se necessário. No entanto, a medida passou a ser afastada. "'Lockdown' significa atestado de falência do sistema público de saúde. Quando você decreta o 'lockdown' é que você perdeu a capacidade de enfrentamento da epidemia. Não estamos ainda neste momento", disse o coordenador do comitê contra coronavírus , Dimas Covas.

Fonte: Folha PE

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