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Com o coronavírus, rotina da retomada das atividades ainda não será como antes

Volta à rotina deve ser permeada de cuidados nesta abertura gradual das atividades sociais e econômicas

Quatro meses após a confirmação dos primeiros casos de Covid-19 em Pernambuco, a população já se encoraja a tentar voltar à uma rotina normal com a chancela das autoridades locais que, seguindo uma série de protocolos, colocam em prática um plano de reabertura gradual das atividades econômicas. Contudo, a pandemia desde o início é cercada por uma nuvem de incertezas. Atualmente não é diferente. Do cientista do mais alto escalão a cidadão mais carente de uma comunidade ainda há dúvidas sobre as condutas mais seguras para evitar a transmissão do novo coronavírus em ambientes fechados e abertos.


Na Europa, a maioria dos países que implantou restrições contra a pandemia já relaxou as amarras. Sair do confinamento, no entanto, tem se mostrado bem mais difícil que entrar. Cautelosamente, cada nação traçou planos elaborados para desatar um nó por vez e evitar um fluxo humano descontrolado que ponha a perder os avanços contra o coronavírus. Entre os pontos em comum que se firmam como medidas de prevenção estão o uso obrigatório de máscaras em áreas de convivência pública, como parques, comércio e transporte público, e a espaçamento mínimo de um e meio a dois metros entre os indivíduos.

Para a enfermeira do trabalho do Sesi Saúde Flávia Silvestre, é possível voltar a uma rotina semelhante a que tínhamos antes da pandemia desde que essa retomada seja gradual, como está acontecendo. “Também é importante que as pessoas cumpram os protocolos vigentes. Assim podemos sentir como está sendo esse retorno e rapidamente agir caso seja necessário”, comenta. Entre as medidas preventivas apontadas por ela estão o escalonamento de horários nas empresas e higienização constante das mãos. “As empresas devem instalar dispensers de álcool em gel nos locais de grande circulação, além de fornecer máscaras e instruir os colaboradores sobre a pandemia e as ações de combate”, falou. 

O contador Esdras Roberto de Carvalho, 60 anos, confessa que ainda não se sente à vontade para retomar o convívio social. “Ainda enxergo muitas falhas nos protocolos do governo. É muito prematura a volta do comércio e do trabalhador na rua”, disse, acrescentando que a população ainda deveria estar em quarentena. Funcionário de uma fábrica de embalagem de alimentos, Pedro Henrique de Paula, 25, conta que antes da pandemia já tinha rotina de cuidados com sanitização e higiene, mas não se sente seguro com o “novo normal”. “Eu entendo a necessidade de reabrir por conta da economia, mas o cuidado em si não tem como controlar, pois depende da consciência de cada pessoa”, falou.

Segundo o chefe de triagem do setor de Infectologia do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), Filipe Prohaska, é muito difícil ter uma regra geral para todos. Ele explica que as autoridades sanitárias estabelecem critérios mínimos necessários para o funcionamento dos estabelecimentos, mas cada local terá que adaptar o seu serviço e montar sua estrutura. “O grande segredo é você ter conhecimento dos protocolos que estão sendo firmados pelo local que você vai frequentar e assim notar se há segurança ou não em frequentar esse ambiente. Se você notar que as normas não estão claras ou se não entendeu o que está escrito já é motivo para evitar frequentar aquele local”, falou.

Prohaska ressalta ainda que esse “novo normal”, exige cuidados extras necessários para minimizar o risco de contrair o vírus. Para o especialista é difícil prever quando será possível voltar a aglomerar pessoas em um único ambiente sem o risco de transmissão do vírus, sem que haja vacina. “Existem algumas teorias como a imunização de rebanho, ou seja, o vírus já disseminou tanto que a grande maioria da população está imunizada. Contudo, para isso ser possível é preciso confirmar se essa imunização é permanente, o que ainda é muito cedo para afirmar, além da testagem em massa das pessoas”, acrescenta.
Retorno à normalidade
Para o infectologista e doutor em medicina tropical, Paulo Sérgio Ramos de Araújo, não retomaremos tão cedo a esse conceito de “normalidade” porque o vírus continua circulando mesmo aparentemente em menor intensidade. Ele recomenda que devemos evitar frequentar ambientes fechados de forma recreacional, para redução de riscos. “Se pensarmos na gripe por influenza que mata milhares de pessoas em todo o mundo, mesmo com a existência da vacina há mais de 20 anos, é razoável acreditar que por muitos anos precisaremos manter o uso das máscaras e cuidados com higienização das mãos”, disse Araújo, que é membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

Especialistas são taxativos ao afirmar que a convivência com o vírus deve ser um processo de médio a longo prazo e teremos que coexistir com ele por muitos anos, mesmo após a criação da vacina. “Em outras palavras, é possível que a pandemia acabe, mas depois dela permaneça o vírus como risco endêmico e ele se juntaria a outros que já ocorrem todos os anos, como o Influenza”, explicou o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia. O gestor afirma que o momento exige responsabilidade, ciência e análise permanente de dados para tomada de decisões. “Como se trata de fenômeno até então desconhecido o risco de haver novos casos existe, mas é por isso que a gente acompanha tão de perto”, disse.

Apesar de Pernambuco estar perto de alcançar a marca de 80 mil infectados e seis mil mortes pelo coronavírus, diversos setores já estão autorizados a funcionar, como shoppings, academias e restaurantes. Apesar dos números, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) afirma que, ao longo das últimas semanas, vem observando uma tendência de queda dos casos e mortes pela Covid-19. No entanto, o vice-coordenador do Instituto para Redução de Riscos e Desastres de Pernambuco (IRRD-PE), Jones Albuquerque, alerta que a quantidade de infectados no Estado continua aumentando diariamente.

“Os indicadores de risco apontam que voltamos a uma situação semelhante a que tínhamos no final de abril. Se seguirmos os mesmos passos de antes, daqui a poucos mais de duas semanas vamos passar por outra pancada no sistema de UTIs que levou a gente a decretar a quarentena em maio”, falou. O pesquisador afirma que abertura de leitos para atender pacientes com Covid-19 foi fundamental no combate a pandemia em Pernambuco, mas ele ressalta que ainda não é o momento de relaxar o isolamento social. “É preciso fazer teste em massa e manter a consciência situacional, ou seja, deixar a população ciente que estamos em pandemia”, disse.

Fonte: Folha PE

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