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Sem cronograma definido, a pergunta no País é: Quando chega a vacina?

Antes mesmo de completar um ano da confirmação da primeira pessoa infectada pelo Sars-Cov-2, o novo coronavírus, na China, países do mundo inteiro iniciaram uma corrida pela descoberta da vacina contra a Covid-19, doença causada pelo vírus. A imunização é apontada por especialistas das mais diversas áreas como a principal medida para frear a pandemia que já soma cerca de 8 milhões de casos e 200 mil mortes apenas no Brasil. Mais de 40 nações, entre elas Reino Unido, Estados Unidos e Canadá, começaram a imunizar a população, com vacinas da Pfizer/BioNTech, Moderna, Sputnik V, Sinovac e Sinopharm. Estima-se que o número de vacinados já ultrapasse os dois milhões.


Quatro vacinas contra a Covid-19 foram autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para serem desenvolvidas no Brasil, após avaliação das condições de resposta às necessidades regulatórias, no caso de eventual registro no futuro, e à segurança dos participantes envolvidos. São elas: Astrazeneca/Fiocruz, Sinovac/Butantan, Pfizer e Janssen. Todas já chegaram à fase 3 dos estudos, ou seja, quando os testes são realizados em grandes populações para avaliar a segurança e a eficácia do imunizante. Esta etapa é necessária para provar que, de fato, o produto é capaz de proteger o ser humano da doença que se busca combater.

Segundo o Ministério da Saúde (MS), a vacinação contra a Covid-19 pode ter início no dia 20 de janeiro. No entanto, nesta semana, o secretário executivo da pasta, Élcio Franco, informou em coletiva de imprensa que se não for possível, em um cenário “médio”, a imunização poderia começar entre esta data e 10 de fevereiro. Em um cenário menos favorável, a vacinação no Brasil poderá ocorrer a partir de 10 de fevereiro. “Isso vai depender de uma série de fatores, inclusive de logística, e dos laboratórios estarem em dia com o seu processo de submissão contínua e do processo de registro com a Anvisa. Não depende de nós, depende do laboratório cumprir com a sua parte”, afirmou.


Em dezembro do ano passado, o Ministério da Saúde divulgou que o Recife será uma das sedes logísticas do País para a distribuição de vacinas contra a Covid-19, assim que a campanha  estiver definida. A pasta será responsável pela organização do processo de abastecimento, a partir da capital pernambucana, para os estados do Norte-Nordeste. Na ocasião, o secretário Estadual de Saúde, André Longo, informou que  assim que Pernambuco receber as suas doses, todos os 184 municípios do Estado irão receber os imunizantes e insumos necessários em até, no máximo, quatro dias.


No entanto, deve-se lembrar que, enquanto outros países já fizeram compras de vacinas, o Brasil está ficando para trás, preso no imbróglio da liberação. Para o pesquisador da Fiocruz Pernambuco, Rafael Dhália, o maior desafio é de logística. “Teremos de correr atrás do prejuízo e tentar negociar a aquisição do maior número de vacinas possíveis, com o critério único de segurança e eficácia, trabalhar com a complexidade de diferentes intervalos de doses, diferentes condições de temperatura de armazenamento, logística de distribuição nos postos, etc.”, afirma. Ainda segundo Dhália, será preciso investir pesado na aquisição de insumos, capacitação de profissionais e no monitoramento pós-vacinal.


“Só para se ter uma ideia do desafio que temos pela frente, precisaremos de no mínimo de 240 milhões de doses para cobrir, em regime de duas doses, pelo menos 60% de nossa população, obviamente começando pelos grupos prioritários. Isso significa começar vacinando 10 milhões de pessoas por mês, e já no segundo mês ter de dobrar essa capacidade para 20 milhões, quando se inicia as segundas doses, em paralelo à primeira vacinação. Em outras palavras, vacinar 5 milhões de pessoas por semana ao longo de todo o ano”, explica o pesquisador. Tudo indica ainda que a logística de vacinação terá de se repetir nos próximos anos, pois aparentemente será uma vacina sazonal como a da gripe.


Plano de vacinação

Até a última sexta-feira, não havia sido feito na Anvisa nenhum pedido de registro das vacinas em desenvolvimento no Brasil. Apresentado pelo MS em meados de dezembro, o Plano Nacional de Imunização contra Covid foi alvo de inúmeras críticas, sobretudo por ele não especificar qual vacina de fato será usada no país. No entanto, há negociações em andamento com a Oxford/AstraZeneca, da qual foram encomendadas 100,4 milhões de doses até julho de 2021, além da produção nacional de mais 110 milhões de doses até dezembro de 2021. Existe também o pedido de 42,5 milhões de doses do consórcio internacional da Covax, sem data definida. 


Para o infectologista e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Paulo Sérgio Ramos, o cenário no país é preocupante. “Temos assistido a um Ministério da Saúde completamente engessado nas suas decisões logísticas, com um plano confuso, envolvendo diversos experts no assunto, mas que não reconhecem suas rubricas no documento. Saímos da discussão cloroquina/hidrocloroquina ao longo do ano, para uma outra discussão ainda mais grave que é a disputa do poder público federal e alguns estados da união para quem chega primeiro na compra das vacinas”, disse, acrescentando que o Plano Nacional de Imunização tem sido atropelado por manobras ideológicas e partidárias.


Na última semana, em entrevista à TV Brasil, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que todos os Estados receberão o imunizante simultaneamente. "Independentemente da quantidade da vacina, ela será distribuída igualitariamente dentro da proporcionalidade dos estados". A previsão do Ministério da Saúde é que 24,7 milhões de doses de vacinas estejam disponíveis em janeiro. No último dia de 2020, em instrução normativa publicada no Diário Oficial da União, as vacinas contra Covid-19 foram incluídas na lista de produtos com importação facilitada. Ou seja, a Receita Federal definiu que os imunizantes fazem parte da lista de mercadorias sujeitas a entrega antecipada, devido à emergência de saúde pública.


Na avaliação do pesquisador da Fiocruz Pernambuco, Rafael Dhália, nem todo tempo perdido pode ser recuperado, principalmente quando boa parte da população se encontra ainda anestesiada diante da pandemia. “A única coisa que pode ser feita é cada um ajudar fazendo a sua parte, sair de suas conveniências inconvenientes”, comenta. Para Dhália, os governadores de todos os estados da Federação também precisam abraçar essa causa, comprando insumos e vacinas, qualificando profissionais de saúde, insistindo no distanciamento social e reforçando a importância da higienização frequente das mãos e uso de máscara ao sair de casa.


Fake news

Apesar de o principal líder político do Brasil, o presidente Jair Bolsonaro, constantemente se mostrar contrário à vacinação contra Covid-19, recente pesquisa divulgada pelo Ipsos Global Advisor, em associação com o Fórum Econômico Mundial, aponta que o Brasil é segundo país do mundo mais disposto a se vacinar, ficando atrás apenas da China. Por outro lado, a disseminação de fake news sobre a doença e os imunizantes produzidos no mundo têm contribuído para que a confiança e o desejo de ser vacinado diminuam.


“Agora, se apenas um número pequeno não quiser se vacinar não vai ter impacto no resultado final. O problema é se esse número for muito grande. O que a gente vem observando hoje é que isso está muito mais relacionado a uma questão ideológica-político-partidário do que sanitária”, comenta o infectologista Demetrius Montenegro, do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), primeira unidade de saúde referência para Covid-19 em Pernambuco.


Diante de toda a turbulência, o debate sobre a obrigatoriedade da vacina também acaba vindo à tona. A medida não seria novidade no país, uma vez que em 1904, o governo determinou a imunização contra a varíola. Desde agosto, o presidente Jair Bolsonaro se posiciona contra a obrigatoriedade. No entanto, em fevereiro deste ano, no começo da pandemia no país, uma lei sancionada pelo próprio Bolsonaro determinou que as autoridades podem adotar medidas, como vacinação e ações profiláticas contra a Covid-19.


Além disso, em dezembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu aval para que os governos locais estabeleçam medidas para imunização compulsória da população contra o coronavírus. Decisão não permite vacinação à força, mas sanção para não vacinados. “Esse tipo de possibilidade deve existir sim até mesmo para manter o ciclo econômico do país, estados e municípios. Uma empresa, por exemplo, precisa produzir, e para garantir a segurança de todos os funcionários pode vir a exigir a vacinação. Aí fica a critério do trabalhador se quer ser imunizado ou demitido”, opina Montenegro.


Fonte: Folha PE

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